É hoje. Deputados federais escolhidos por nós para fiscalizar ações do governo federal, propor e aprovar leis, aprovar o orçamento nacional e autorizar, se é o caso, abertura de processo contra o presidente da República, viverão mais um dia histórico. Na agenda, está a votação de admissibilidade, ou não, de Michel Temer, presidente, ser investigado por corrupção passiva, de acordo com denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República.
Desde que o procurador geral Rodrigo Janot apresentou denúncia contra Temer, baseada em delação de diretor da empresa JBS — brasileira, considerada a maior produtora de proteína animal do mundo — e substanciada na apresentação de gravação de conversa na qual o presidente da República incentiva o executivo a procurar agentes públicos que garantiriam apoio a pautas da empresa, o mundo político nacional estremeceu. O governo esperneia para buscar os votos necessários (172) à sua permanência no cargo. À custa de muito dinheiro — público — os terá. Improbidade administrativa? O que é isso?
Começou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde o pedido de investigação contra o presidente foi primeiramente apresentado. O governo central, descaradamente, convenceu partidos políticos a trocarem deputados que tendiam a aprovar a investigação, por outros, simpáticos à negativa de continuidade do processo. O resultado final, mesmo à vista de provas contundentes reunidas pela PGR, optou pelo descarte da denúncia. O Diário Oficial da União, nos dias seguintes, exonerou, de cargos públicos, políticos de partidos que votaram favoráveis à sequência da denúncia.
Hoje, é na Câmara. Para mim, cidadão brasileiro envergonhado do país que os políticos mantêm só para eles, não importa mais. A indecência prospera. Deputados, declaradamente, enchem os bolsos em negociatas chamadas de emendas parlamentares. A compra de votos onsolida definitivamente o que ainda poderia restar de ética. A transformação da presidência da República em balcão de negócios pró manutenção do poder a qualquer custo, revolta e causa ânsia de vômito. São todos farinha do mesmo saco.
Ontem, quando escrevia, recebi informações que, ao menos, 250 parlamentares votarão com o governo, 170 contra. Outros 100 “decidiriam de acordo com o andar da carruagem”, para pular no que chamavam “canoa vencedora”, fosse ela qual fosse. Lembrei-me de um político, do qual declino o nome por obviedade, que ao menos não teve papas na língua para declarar, durante encontro com empresários onde eu também estava: “lembrar de eleitores, prá quê? Votam por votar, nos enchem o saco com pedidos. Melhor é aproveitar e fazer a vida no melhor de todos os empregos”...
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br
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