Desfaçatez, escárnio e muita cara de pau


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PROCESSOs CONTRA CORRUPÇÃO  MOSTRAM QUE POLÍTICOS NOS CONSIDERAM INGêNUOS
Quem vem acompanhando todos os lances das diversas investigações da Polícia Federal em casos de corrupção, todas derivadas da Operação Lava Jato, percebe que a nossa classe política considera que os brasileiros são ingênuos. São atos seguidos de desfaçatez, escárnio e, principalmente, cara de pau quando os suspeitos de desviarem dinheiro dos cofres públicos e recebimento de propina tentam explicar a origem de fortunas que surgiram do dia para a noite. Desde os anões do Orçamento, no final dos anos 1980, usam-se desculpas esfarrapadas para tentar explicar o inexplicável. Naquela época, o então deputado federal João Alves garantiu que ganhou fortunas ao acertar centenas de vezes na Loteria Esportiva. De lá para cá, pouca coisa mudou. Hoje, usam o mote de consultorias ou então palestras para justificar o recebimento de milhões de reais.
 
Ainda hoje ninguém conseguiu “engolir” a fortuna amealhada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva a título de “palestras” que ele teria feito depois que deixou a Presidência. Só o fato de o juiz federal Sérgio Moro (PR) bloquear quase R$ 10 milhões (grande parte aplicado num fundo de previdência privada) já demonstra que há caroço neste angu. Além disso, deve-se considerar que a ascensão social dos filhos do ex-presidente não encontra paralelo em qualquer lugar no mundo, a não ser que tenha sido obra de fraudes e corrupção. A mais recente desculpa esfarrapada partiu do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao justificar os diálogos com o empresário Joesley Batista, da JBS, afirmando que pedia um empréstimo para pagar sua defesa na Justiça, quando quem ouviu percebe bem isso. Até o presidente Michel Temer (PMDB) entra neste rol: ele ainda não explicou a razão de não ter denunciado os crimes que o dono da Friboi confessou.
 
O trabalho que vem sendo realizado na investigação da corrupção está detalhando de forma clara como as coisas funcionam no Brasil, pelo menos nas últimas décadas. Além do esquema criminoso instalado na Petrobras, investiga-se até da “venda” de medidas provisórias. Não podemos mais tolerar este tipo de situação, onde o tráfico de influência serve para encher o bolso de alguns poucos à custa dos cofres públicos, a despeito de toda uma população que trabalha, produz, paga impostos e sente na pele todo o desacerto dos governos em seus três níveis (federal, estaduais e municipais). Enquanto a Justiça não concluir as investigações e os processos, precisamos dar uma resposta a quem vem saqueando o Brasil na última década, nas urnas. Que já comecemos no ano que vem, limando da vida pública quem usa o mandato em benefício próprio, em detrimento de todos nós.

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