À primeira vista, com seus cabelos grisalhos e aparência franzina, ele parece inofensivo. Quem não está nos meios policiais e olha para o desempregado Élvio Furlan, de 63 anos, não imagina estar diante de um dos ladrões mais antigos de Franca e região e que possui uma especialidade: furto de veículos. Depois de 20 anos se dedicando a esse “ramo”, o idoso foi preso por agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e, enfim, “se aposentou”.
A prisão do “vovô do crime”, conhecido como “Graia”, aconteceu no final da noite de quinta-feira, na cidade de Delta (MG), com o apoio da Polícia Militar mineira e de investigadores da Polícia Civil de Igarapava, um dos municípios onde ele também costumava agir. O idoso estava morando em Delta desde 2013, quando se aproveitou de uma “saidinha” para não retornar ao presídio de Marília (SP). Lá, Furlan cumpria pena por outros furtos.
Segundo o delegado Márcio Garcia Murari, ele adquiriu casa própria na cidade mineira com o dinheiro que arrecadava ao desmanchar os veículos que subtraía, mas nunca deixou de vir para Franca e cidades das imediações e, assim, continuar no que fazia há mais de duas décadas: furtar veículos, de preferência caminhonetes. “Durante nossas diligências em Minas Gerais, encontramos três caminhonetes que foram furtadas (uma S-10, uma Ranger e uma F1000) em Franca e um outro carro subtraído em Igarapava. Há suspeita de que ele ainda tenha furtado outros três veículos. Esses últimos casos já estão sob nossa investigação”, disse Murari.
Além dos veículos, havia ferramentas variadas na casa. Elas eram utilizadas para desmontar os automóveis e adulterar os números de chassi e de motor. “Ele agia como um profissional. Tinha grande experiência nesse ramo e admitiu os crimes”, afirmou o delegado. O idoso ainda foi surpreendido com uma espingarda e munições, fato que o fez ser autuado por posse ilegal de arma de fogo. Questionado, ele disse que comprou a arma “para se proteger”.
Levado até a sede da DIG nessa sexta-feira, “Graia” prestou depoimento e, depois, foi recolhido à Cadeia Pública de Franca. Além de responder por esses crimes e dever alguns anos à Justiça, tendo em vista que fugiu do presídio de Marília, o idoso ainda recebeu uma pena de 9 anos de reclusão por furto - também de veículos - pela Comarca de Pedregulho. Na delegacia, admitiu que, agora, é hora de “se aposentar” e, enfim, sair do mundo do crime.
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