Eu sinto que ainda corre em minhas veias aquela jovem livre, às vezes amordaçada, cheia de opiniões formadas, mas carente daquela coragem executável.
Ainda vibra em mim alguns sonhos traçados e muito das desilusões conquistadas, mas, acima de tudo, ainda mantenho comigo toda a aquela bela consciência inconformada.
Nesta evolução, também tenho os meus dias de feminilidade visceral, de silhueta longilínea na contra luz das cortinas, de passos cadenciados na volta para casa, de vestidos esvoaçantes através das calçadas apinhadas no verão e deste contundente atestado da nossa delicadeza premeditadamente feminina.
São dias que gostaria de exercer esta extrema feminilidade. Poder arrastar languidamente um longo vestido de voile por salões antigos, de descer delicadamente íngremes escadarias com toda a leveza e sensualidade que meu gênero permite.
São aqueles dias de feminilidade à flor da pele.
Pois há um momento em nossa vida que vestimos a nossa pele como uma roupa confortável.
Sentimo-nos extremamente bem nela, atraentes, sábias e audazes, independente de estarmos em boa forma ou não, jovens ou mais experientes.
É aquele sentimento de bem estar e de conforto com si mesma.
Este encontro consigo mesmo é um caminho longo, mas que nos faz protagonistas da própria vida. Pois toda mulher merece ser uma diva nem que for por um dia, senão puder ser a vida toda.
Merece um dia ter todos os olhares voltados para ela neste seu caminhar lânguido, quando deve seguir arrastando aos ombros um casaco elegantemente à La Loren nos seus filmes anos 50.
Merece borrifar seu perfume francês pela manhã e despreocupadamente aspirar a brisa na janela, sem ter que se lembrar das louças à espera todos os dias.
Toda mulher merece brindar à vida e a beleza que dela emana ou apenas por conseguir sobreviver neste mundo quase sempre inóspito.
E mais que isto, toda a mulher merece ser a musa de alguém, a lady de outrem e mesmo que de ninguém, mas, sobretudo uma diva além.
Leva-se tempo para se sentir assim. Às vezes uma vida inteira.
Às vezes apenas em uma época da sua vida. Mas quando conseguimos nos sentir desta maneira quase o tempo todo, acredite, amadurecemos e bem.
Assim, que possamos “vestir” mais a nossa pele e exercer o nosso papel de diva, principalmente diva da autoaceitação.
Pois o final do caminho nos reserva incríveis surpresas, às quais não veríamos se não tivéssemos insistido no percurso.
Então, na leveza dos dias, sigo esta brisa amiga de promessas vindouras, de felicidades simples e de ternas descobertas.
E a despeito das opiniões, não há caminhos tortos e nem estradas vãs. Apenas esta beleza fulgurante da travessia que escolhemos trilhar.
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