Indústria e agronegócio criam empregos no interior


| Tempo de leitura: 2 min
Das 6.000 vagas formais geradas até junho em Franca, segundo o Caged, ao menos 4.200 surgiram no polo industrial calçadista
Das 6.000 vagas formais geradas até junho em Franca, segundo o Caged, ao menos 4.200 surgiram no polo industrial calçadista
O impacto da crise nas grandes cidades, aliado ao bom desempenho do campo, fez aumentar nas regiões mais ricas a oferta de empregos no interior, que já representa quase metade das vagas de trabalho formais do país.
 
Entre admissões e demissões, o interior criou no primeiro semestre mais de 180 mil vagas com carteira de trabalho, mais que compensando o saldo negativo das regiões metropolitanas, que perderam 154 mil vagas, segundo o Ministério do Trabalho.
 
Essa expansão, apesar de se concentrar na agropecuária, ocorreu também em outros setores, de acordo com dados colhidos pela reportagem no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
 
A indústria, que eliminou 30 mil vagas nas grandes cidades, criou 56 mil nas regiões mais remotas neste ano. Os serviços perderam 19 mil empregos nas áreas metropolitanas, mas criaram 62 mil no interior, segundo o Caged.
 
Essa diferença pode ser explicada principalmente pelo boom do campo e seu efeito sobre outros setores. A safra brasileira de grãos deve atingir cerca de 240 milhões de toneladas, mais de 30% do que foi registrado no ano passado.
 
“O impacto indireto da agricultura nessas cidades menores é enorme. A renda é gasta no comércio de móveis, na loja de agrotóxicos, em caminhões e imóveis. E isso gera mais vagas”, diz Anselmo Luis dos Santos, da Unicamp.
 
O especialista lembra que o emprego na indústria do interior tende a sofrer menos pois há um movimento, nas últimas décadas, de migração de empresas em busca dos custos mais baixos oferecidos pelas cidades menores.
 
Em Franca, Alessandro Aparecido Amaral, 17, concluiu o ensino médio e conseguiu o primeiro emprego depois de seis meses de busca –uma vaga de auxiliar de produção numa fábrica de calçados.
 
“A gente só via o pessoal demitindo, e, no meu caso, a falta de experiência também pesava. Agora parece que começou a melhorar a situação. Pelo menos com o calçado a gente vê isso”, diz Amaral.
 
Das 6.000 vagas formais geradas neste ano até junho em Franca, de acordo com o Ministério do Trabalho, ao menos 4.200 surgiram no polo industrial calçadista. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, Franca continua no vermelho, com 739 postos fechados.
 
Os dados do Caged dizem respeito apenas a trabalhadores com carteira assinada e por isso representam uma fatia pequena da força de trabalho – cerca de um terço dos que estão ocupados têm registro formal, segundo o IBGE.
 
Não entram nessa conta os que estão na informalidade, funcionários públicos e autônomos. Somados, informais e autônomos representam um terço da força de trabalho.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários