Franca comemora Dia da Mulher Negra com ações


| Tempo de leitura: 2 min
A pesquisadora Rosyane Silva, durante palestra
A pesquisadora Rosyane Silva, durante palestra
“Representatividade importa.” Provavelmente você já deve ter ouvido ou lido esta expressão. Desde a última quinta-feira, Franca recebe atrações de um evento que traduz o significado dessa frase. “Pelas Nossas Terezas” é uma ação criada com o objetivo de comemorar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrados nesta terça-feira, 25.
 
A data busca reconhecer a vivência das mulheres negras que protagonizaram lutas e movimentos sociais, mas que estão apagadas da história.
 
Em 2014, foi instituído 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela - líder quilombola que resistiu à escravidão por duas décadas. No mesmo dia, também se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha.
 
Para Tuanny Miller, idealizadora do evento, é importante lembrar essas datas em Franca para trazer histórias e vivências de negras que se empenham no resgate da ancestralidade através da história, do conto e dos turbantes, por exemplo. “No caso, duas francanas, que nasceram ou viveram grande parte da vida na cidade, foram as convidadas. É importante trazer para a comunidade referências e ocupar os espaços.”
 
A pesquisadora Rosyane Silva, que é francana e mora em São Paulo, esteve na Casa da Cultura e do Artista Francano “Abdias do Nascimento”, na última quinta-feira, para compartilhar as experiências de sua viagem recente à África e apresentar a palestra: Iqhiya - Um olhar sobre o significado e a simbologia do uso do turbante por mulheres negras.  Rosy explicou que o uso do turbante vai além da estética. “Ele é um tecido que simboliza uma luta, todo um processo de conquista da população negra. Fala desta conexão ancestral, deste respeito e resgate cultural que nos fortalece.”
 
Durante a palestra, houve uma intervenção com a performance da atriz Josiana Martins.
 
Marli de Fátima Aguiar é a próxima convidada do evento. Ela é mineira e lançará sua primeira obra na Casa da Cultura. Marli morou em Franca até os 18 anos, trabalhou em fábrica de sapatos e foi trabalhadora doméstica. Hoje, aos 47 anos, mora em São Paulo. Aos 42 ingressou em uma universidade pública para a primeira graduação. Cursa Letras/Espanhol na Universidade Federal de São Paulo. “Participar de espaços públicos é sempre um grande desafio para as mulheres negras, e falar da escrita, apresentar um livro é ainda maior.”
 
O Coletivo Angá, As Pretas, o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Comdecon) e a Secretaria de Ação Social apoiam o evento.
 
Programação
No dia 25, terça-feira, o Ato do Coletivo As Pretas, às 9 horas, estará na Câmara. Às 19 horas, na Casa da Cultura, acontece o Cine Comdecon, com o filme Balé de Pé no Chão, que narra a trajetória de Mercedes Baptista, precursora da dança afro-brasileira, seguido de uma roda de conversa sobre o papel da mulher negra na sociedade.
 
Na sequência, acontece o lançamento do livro Tecendo Memórias e Histórias, com a presença da autora Marli Aguiar. O livro é composto por narrativas autobiográficas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários