O descaso


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Segundo estimativa da própria Prefeitura da cidade de São Paulo, aproximadamente 9 mil pessoas moram nas ruas daquela cidade, em situação de absoluta miséria. Entre esses desassistidos, há crianças, adolescentes, adultos e idosos, sendo que a grande maioria é dependente químico, porém há muitos que são vítimas do desemprego que graça o Brasil.
 
Várias iniciativas de entidades civis e religiosas louváveis, fornecem a essas pessoas, pelo menos, um prato de sopa diário que ameniza a fome. Tais iniciativas, no entanto, são paliativas, pois elas também não dispõem de meios e nem de recursos para dar abrigo a todos.
 
No inverno, quando a temperatura cai sensivelmente, a situação desses desvalidos ganha dramaticidade, pois vários vão a óbito, não obstante as campanhas tradicionais de recolhimento e de distribuição de agasalhos, encetadas por entidades públicas e privadas que, obviamente, diminui mas não resolve o problema.
 
É óbvio que situação idêntica é vivenciada em outras cidades do país, especialmente nos grandes centros. Porém, na cidade de São Paulo, ela é mais crítica, pois parte desses desabrigados, é constituída por pessoas de outras regiões, que migram para São Paulo, com a esperança de encontrar trabalho e condições dignas de sobrevivência.
 
O mais grave é constatar, que, pelo menos no curto prazo, não se vislumbra nenhuma medida governamental que possa resolver ou pelo menos amenizar o drama dessas pessoas. Também não pretendo, de forma prosaica, colocar toda a culpa do problema na corrupção. Mas, convenhamos, os números já contabilizados dela, dariam para resolver, ou no mínimo diminuir, sensivelmente, essa chaga e esse descaso que envergonha o país.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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