(para todas as queridas guerreiras das ruas noturnas e imundas em anos setenta em BH)
Amarília voltou salva
e a Cidade agradece
pelos lutos, pelos frutos
que trouxe na prece
no canto que carece
de motivos negativos.
Amarília emplumada
morena perfumada
e suas bandeiras
com cheiro de aço
nos dias o cansaço
das notícias passageira
entre olheiras e estilhaços.
Amarília, a deusa enlutada
a maravilha enlouquecida
das ruas e das muradas
dos trancos e das emboscadas
das vitórias e retiradas
contra os cowboys estrangeiros
nos luminosos letreiros
ou anúncios corriqueiros.
Amarília sempre-viva
voltou salva mas vencida
e a Cidade agradecida
celebra muda sua diva.
(01/02/l.977)
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