A mulher, em fila em que ambas esperávamos para ser atendidas, surpreende-me. Eu estava com pressa, já querendo me irritar com a demora; ela não. Estava, na verdade, aliviada por poder falar com o funcionário. Conta-me que tentara através do celular, mas que não conseguira e tivera vontade de atirar o aparelho na parede. Via e.mail não obtivera resposta. Com o marido doente e o filho trabalhando fora, viu-se, diante da urgência de solucionar um problema, numa situação angustiante. No seu desabafo, a percepção de que, embora na era da comunicação e com tanta tecnologia, e paradoxalmente por causa delas mesmas, pode bater forte o desamparo.
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