CONGRESSO NACIONAl ENTRA EM RECESSO E DEIXA DECISÕES PARA O MÊS DE AGOSTO
Quando se pensava que a posse de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados seria capaz de acabar com a verdadeira letargia que toma conta dos trabalhos parlamentares por causa das ameaças que pesam sobre o mandato do presidente Michel Temer (PMDB), o brasileiro vê que continua à mercê dos interesses de uma classe política que pensa mais em seus interesses do que realmente importa para a Nação. O Legislativo federal, que tem quase duas centenas de parlamentares na mira das diversas operações que se processam contra a corrupção ainda não se conscientizou da importância de suas decisões para tirar o País do buraco em que se encontra. O desemprego continua crescendo e a atividade econômica mantém-se em movimento de queda: este é o quadro que enfrentamos, agravado pelas crises institucionais que desembocaram nos afastamentos da presidente Dilma Rousseff (PT) e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), este determinado pelo STF (Supremo Tribunal do Trabalho). Agora, o alvo é Temer.
Vivemos um momento em que o Brasil cobra respostas a problemas graves, situação que os parlamentares aparentemente relevam. Quando todos esperamos o avanço nas discussões de reformas essenciais para a retomada do crescimento, o Congresso Nacional entra em recesso, só devendo retomar seus trabalhos no início de agosto. E no dia 2, a Câmara dos Deputados começa a discutir o pedido para que o STF (Supremo Tribunal Federal) abra processo contra Michel Temer por corrupção. Como já ocorreu na semana passada, dificilmente haverá quórum para que seja aberta a sessão de votação, já que são necessários pelo menos 342 deputados no plenário para se atingir o quórum regimental. Enquanto isso, a pauta fica “trancada”, impedindo que qualquer outra matéria seja apreciada. Como se pode ver nos últimos dias, o Planalto continua trabalhando para cooptar aliados para impedir a investigação contra o presidente, oferecendo cargos e liberação de verbas. E muitos deputados vangloriam-se de participar desta ação imoral, mesmo que legal.
Com isso, na Câmara, projetos de grande importância (como a Reforma Previdenciária) terão que aguardar até o retorno dos deputados, que ainda estão devendo mais duas reformas, a política e a fiscal, prometidas a cada nova eleição nas últimas duas décadas e que não saíram do papel até hoje. Como se pode ver, as demandas coletivas, que interessam a todo um País, continuam relegadas a segundo plano diante dos interesses pessoais dos parlamentares e do governo que defendem. E, mais uma vez, teremos que esperar a vontade de nossos representantes eleitos para trabalhar com mais afinco para fazer o Brasil voltar a andar.
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