A agonizante saúde pública


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SE TODOS FOSSEM OBRIGADOS A UTILIZAR POSTOS DO SUS, A COISA SERIA DIFERENTE
 
No Brasil de hoje, chega a ser um escárnio a forma como nossas autoridades tratam a saúde pública. As notícias apontam que os problemas se repetem das pequenas às grandes cidades, onde faltam profissionais, equipamentos e até insumos básicos para que o atendimento seja considerado satisfatório. Todos aqueles dos quais se cobra uma posição muitas vezes demonstram total desinteresse em dotar o Brasil de uma rede pública de saúde no mínimo satisfatória. Muita gente não sabe, mas parlamentares e dirigentes do Ministério da Saúde contam com planos de saúde bastante abrangentes, ao contrário da maioria dos brasileiros.
 
Caso fossem todos obrigados a utilizar o SUS (Sistema Único de Saúde) com certeza a situação seria outra. Para se ter uma ideia, parlamentares têm suas despesas médicas ressarcidas, enquanto os servidores do Congresso, além de contar com um plano de saúde generoso, ainda têm à disposição uma verdadeira clínica, com equipamentos de ponta, médicos e servidores em número além do necessário que passa os dias às moscas. Enquanto isso, pacientes de câncer em diversos pontos do País não conseguem fazer tratamento de radioterapia por causa dos equipamentos quebrados ou ainda embalados, sem uso. São fatos como este que expõem a desumanidade com que é tratado quem depende da saúde pública brasileira, que encontra hospitais sucateados, equipamentos obsoletos ou danificados e doentes espalhados por corredores e enfermarias inadequadas. Alguns passam dias no chão ou em macas, mesmo com doenças graves.
 
Mas a principal questão passa pelo desinteresse daqueles que foram eleitos para cuidar da saúde do brasileiro. A ingerência política é um entrave para que se melhore de forma significativa a rede de hospitais e ambulatórios destinados ao atendimento de quem não tem condições de arcar com os custos de um plano de saúde particular. O fatiamento da máquina pública entre políticos aliados ao governo acaba por sobrepor os interesses particulares ao bem comum.
 
A única forma de melhorar o quadro atual seria sujeitar os agentes públicos, eleitos ou não, ao mesmo tratamento dispensado ao público em geral. Se um trabalhador precisa tirar do próprio bolso para garantir um atendimento melhor aos seus familiares, por que não ocorre da mesma forma com administradores públicos, parlamentares e servidores graduados? O que não pode perdurar é a constatação de que famílias acompanham a agonia de seus entes queridos à espera de atendimento médico. É hora de agir e buscar alternativas que livrem os brasileiros da agonia que é ser atendido em ambulatórios ou hospitais públicos.

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