Futebol dentro do congelador: uma paixão a dez graus


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Cabeleireiro Marco Antônio da Silva, o
Cabeleireiro Marco Antônio da Silva, o "Japa", encarou o frio de quase 10 graus para prestigiar a Francana na noite de terça-feira no Lanchão

Difícil explicar a paixão da torcida pela Francana. O time está na última divisão do futebol paulista e consegue tirar milhares de pessoas de casa em uma noite gelada para assistir à um jogo sem grande importância, apenas a primeira rodada da segunda fase da competição.

O zero a zero com o São Bernardo escondeu fatos interessantes de bastidores que merecem ser registrados.

A noite de terça-feira, 18 de julho, foi uma das mais frias do ano em Franca. Na hora do jogo, começou às 20 horas, os termômetros marcavam dez graus, embora o vento que soprava pelos lados do Lanchão passasse uma sensação de que estivesse ainda mais frio.

Ao invés de ficarem no conforto de casa e tomarem um caldo quente, perto de três mil pessoas, 2.570 pagaram ingressos, preferiram passar duas horas tomando frio no estádio para incentivar o time.

Horas antes do jogo, a rua Lázaro de Souza Campos, foi fechada para o esquenta. Integrantes da bateria da Escola de Samba Pique Brasileiro Leões da Zona Norte animaram a torcida. Barracas vendiam espetinho e a cerveja, que foi banida do lado de dentro. Mesmo com aquela friagem, chegou a faltar bebidas. “Acabou tudo. Espera ai, que vou buscar mais”, disse um vendedor.

O jogo já havia começado e uma multidão de pelo menos 300 pessoas ainda aguardava na fila diante da bilheteria para poder entrar. Nas arquibancadas, havia muitas crianças, mulheres, idosos e até cadeirantes. Assistir aos jogos da Francana virou um programa de família, mesmo em noite gelada de inverno.

O prefeito Gilson de Souza (DEM) colocou todos os agasalhos que tinha em casa para enfrentar a friagem. O vereador Carlinhos da Farmácia (PMDB), o advogado Denílson Carvalho, o presidente da Feac, Marlon Centeno, e os vendedores de amendoim também sofreram com a Francana.

Estava todo mundo lá. Só não vi os vendedores de picolé. Pena que o time não ajudou. A torcida que quase congelou nas arquibancadas merecia um resultado melhor e vaiou com razão quando o juiz deu o apito final. O zero a zero foi uma merecida nota para as duas equipes.

 

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