‘BONDADES’ JÁ ANUNCIADAS VOLTAM À PAUTA PARA SUSTENTAR O GOVERNO
É sempre assim: ao atravessar uma crise política, o governo federal corre para criar uma “agenda positiva” para manter a sua base e salvar a própria existência. Na história republicana do País (e isto foi utilizado desde o descobrimento, nos períodos colonial e imperial, com a troca de favores) sempre que um governo se sente ameaçado faz concessões para manter seus aliados determinados em defendê-lo. Recentemente, a liberação de emendas parlamentares no varejo conseguiu impedir a aprovação de um relatório na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados autorizando ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer (PMBD) por corrupção. Foi aprovado relatório contra a abertura, que será votado no início de agosto no plenário da Câmara.
Ainda na batalha sem limites pela preservação de seu mandato, Michel Temer encheu sua agenda com eventos para distribuir “bondades”, ainda que reempacotadas. Na semana passada, ele anunciou R$ 114,7 bilhões em financiamentos que já haviam sido divulgados. Em outra frente, lançou programas para fortalecer as prefeituras, que vão permitir a políticos aliados colher dividendos em suas bases eleitorais. Há uma semana, anunciou que o Banco do Brasil vai dispor de R$ 103 bilhões para financiar a safra agrícola 2017-2018. Esses recursos, porém, fazem parte de um pacote de R$ 190,25 bilhões que ele próprio havia divulgado no dia 7 de junho, com grande pompa, no Palácio do Planalto: o financiamento do Plano Safra. No mesmo sentido, ele apresentou na quarta-feira um pacote de R$ 11,7 bilhões em financiamentos para as prefeituras aplicarem na área de saneamento e mobilidade urbana. A maior parte desses recursos, R$ 10 bilhões, já havia sido anunciada pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, em abril. Questionado s
obre a razão da “reciclagem” dos anúncios, o Planalto não conseguiu esclarecer.
Ao mesmo tempo, a equipe econômica praticamente descartou a possibilidade de liberar mais R$ 4 bilhões, até o final do mês, para atender aos órgãos com maior dificuldade em prestar serviços públicos. Diante de tudo isso, não está descartada a possibilidade de um novo corte do Orçamento — uma situação extrema, já que o contingenciamento de R$ 39 bilhões em vigor tem estrangulado o funcionamento da máquina em muitos órgãos. A outra opção no radar é elevar tributos, mas o presidente Michel Temer tem dificuldade em levar adiante uma medida desse tipo com o cenário de crise política. Uma das possibilidades é a tributação do PIS e Cofins sobre combustíveis. Como se vê, entra governo sai governo, a única preocupação é com os próprior interesses dos que foram eleitos para defender os nossos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.