Uma pressa que se justifica


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PLANALTO TEM INTERESSE EM VOTAR RELATÓRIO LOGO: TUDO PODE PIORAR
Michel Temer tem pressa. Seus apoiadores, mais ainda. Apesar da vitória na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, com a aprovação do relatório contrário à denúncia da Procuradoria-Geral da República que mira o presidente, o desfecho ideal ao Palácio do Planalto para a votação do texto no plenário da Casa não se confirmou. O governo trabalhava para que o parecer do deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) fosse apreciado pelos deputados rapidamente, até esta segunda-feira, 17, mas como o recesso parlamentar começa na terça e seria difícil reunir o mínimo de 342 deputados para a abertura da votação, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com os líderes partidários que a definição será no dia 2 de agosto, a partir das 9h. Nada pior para as pretensões dos governistas, uma vez que nas próximas semanas o presidente pode ter sua situação agravada, mesmo que ele tenha a caneta e a máquina para tentar se manter na presidência da República.
 
Embora o discurso governista valorize o triunfo na CCJ, alcançado graças a doze trocas de deputados com direito a voto na comissão, e empurre para a oposição a responsabilidade de reunir o quórum necessário, o Planalto receia que fatos novos possam desgastar ainda mais a imagem do presidente nas próximas duas semanas. Um deles seria delação delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que já tem 130 capítulos, pelo menos dez deles dedicados a relatar supostos crimes cometidos por Temer. O ex-deputado se dispõe a mostrar que ele não só sabia dos esquemas de corrupção montados nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma como tinha poder de mando sobre eles, além de se beneficiar das propinas pagas por empresas parceiras do PMDB.
 
O acordo de colaboração premiada negociado por Eduardo Cunha com a Lava Jato deve trazer de roldão a delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, responsável pela execução de grande parte dos negócios orquestrados pelo ex-deputado. Nas últimas semanas, Funaro vem atualizando os tópicos de sua proposta. Um, em especial, é devastador para Temer: ele confessa que recebeu da JBS para ficar calado e afirma que os pagamentos foram feitos por ordem do presidente. E, finalizando, a denúncia por corrupção passiva da Procuradoria-Geral da República é uma das três possíveis que Rodrigo Janot pode apresentar a partir das delações do Grupo J&F. O STF também investiga o peemedebista pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa, apurações que podem levar a novas acusações formais durante o recesso parlamentar. Como se vê, quanto mais demorar para a Câmara apreciar o pedido do Supremo, Temer não estará a salvo, mesmo que seus apoiadores tentem demonstrar o contrário.

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