Daqui a 33 anos, a maior parcela da população francana será composta por idosos: 38,1 mil francanos terão 75 anos ou mais em 2050. A projeção, realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), mostra que Franca está envelhecendo e, já a partir de 2040, será formada predominantemente por pessoas mais velhas. Enquanto em 2017 a cidade conta com 47.614 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 14,18% da população atual, em 2050 essa parcela da sociedade contará com 109.143 pessoas ou 31,07% na mesma faixa etária. A consequência será a diminuição no número de habitantes da cidade.
De acordo com o estudo, para o futuro, a esperança de vida crescerá gradativamente, enquanto cai o número da população de 0 a 19 anos. Em crescimento constante desde 2011, a população francana em geral, que tem projeção para atingir seu ápice em 2035, chegando a 358.753 habitantes, começa a diminuir e, em 2050, será de 351.168. As mulheres, que somam atualmente 171.506, em 2050 serão 179.158. Homens hoje são 164.508 e em 33 anos serão 172.010.
Em 2050, a população deixará de apresentar perfil mais jovem como tinha em 2000. O envelhecimento populacional é um processo progressivo em todo o Estado de São Paulo, apesar de ocorrer com intensidades distintas em cada região. Enquanto em 2010 todas as regiões apresentavam concentrações de pessoas com menos de 15 anos superiores às do contingente de 65 anos e mais, em 2050 o panorama será totalmente inverso e a participação da população com idades mais avançadas será maior que aquela entre os mais jovens.
Saúde
Praticar exercícios físicos, manter uma alimentação saudável, não beber e fumar, manter a mente em desenvolvimento. Esses são alguns dos cuidados básicos para envelhecer com saúde. Mas, para a médica geriatra Ana Maria Bruxelas de Freitas Neves, essa luta vai muito mais além. “Tudo o que é feito hoje terá consequência no futuro. Não só o idoso deve estar preparado para viver com qualidade de vida, mas devem ser discutidas políticas públicas para o envelhecimento ativo e saudável. Transporte, educação, saúde, segurança, moradia, tudo isso deve estar apto para garantir uma vida funcional”, disse.
“Envelhecimento saudável se aplica aos adultos e aos jovens de hoje. Por isso, a prevenção deve ser o foco das políticas públicas. Conseguimos manter ações importantes em estratégia de saúde da família, buscando o cuidado e prevenindo doenças para que as pessoas tenham mais qualidade de vida desde agora até quando ficarem mais velhas”, destacou o secretário de Saúde, Rodolfo Moraes.
Economia
Segundo o economista Hélio Braga Filho, o aumento na expectativa de vida terá impacto significativo na economia da cidade. “O crescimento da expectativa de vida pode impactar no sentido de que, normalmente, essas pessoas consumem menos e, além disso, muitas vezes eles não são mais mão de obra ativa. A queda no consumo poderá ter um impacto grande na economia”, disse.
Ainda de acordo com o economista, haverá mudança na estrutura de serviços, como por exemplo, a necessidade de novas especializações na saúde para atender esse público. “A população economicamente ativa será reduzida e, com Franca tendo atualmente uma das menores médias salariais do País, isso exigirá que a produção entre os ativos cresça também. O consumo mudará e a necessidade de serviços novos também mudará o consumo”, completou.
Cidade preparada
Apesar da população francana seguir a tendência mundial de envelhecimento, Franca ainda está longe de oferecer a estrutura para proporcionar a qualidade de vida ideal para os mais velhos. “A população de forma geral tem invertido a pirâmide que antes estávamos acostumados. Não somos mais um país jovem. Agora precisamos nos esforçar para sermos uma cidade amiga do idoso. Oferecendo todas as condições para que os mais velhos não só vivam mais, mas sim vivam bem”, disse a presidente do Comupi (Conselho Municipal da Pessoa Idosa) de Franca, Sônia Rodrigues.
Segundo a presidente, o Comupi tem lutado para que a cidade esteja apta para oferecer a essas pessoas mobilidade, saúde e todas as necessidades que os idosos precisam para garantir a independência e qualidade de vida. “Estamos longe ainda, mas mais perto do que estávamos ontem. É preciso preparar a cidade, com rampas, serviços de saúde, educação, etc, para garantir o envelhecimento saudável a todos”, completou.
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