O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez ontem, após ter sido condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Ele negou os crimes e disse que a sentença tem um “componente político muito forte” e que é uma sequência do “golpe” que tirou Dilma Rousseff (PT) do poder (leia na Página 9A). Mas, o que pensam a respeito os políticos de Franca?
Na opinião de Giovanni Dominici, presidente do diretório municipal do PT, a decisão foi injusta. “Foi um julgamento político. Sabemos da história do (juiz Sérgio) Moro desde o começo, com esta perseguição implacável contra o ex-presidente. Várias testemunhas foram ouvidas e não apresentaram nenhuma prova. O juiz foi parcial no julgamento. Foi uma injustiça contra uma pessoa que tanto fez pelo nosso País. Por isso, vamos defender o Lula.”
Marco Garcia (PPS), presidente da Câmara, disse que a condenação era esperada, pois as evidências contra Lula são “muito fortes”. “Quem vinha acompanhando esta novela sabia que o juiz não iria amaciar para ninguém, afinal de contas, outros políticos já haviam sido condenados. O País está mudando. Não adianta amealhar dinheiro, enfiar a mão onde não lhe pertence, que você poderá dormir em casa e acordar na cadeia.”
O advogado e presidente do diretório municipal do PSDB, Wagner Artiaga, avalia que a sentença foi bem fundamentada. “O juiz demonstrou indícios muito fortes, o que resultou na condenação. É uma vergonha para o Brasil ter um ex-presidente condenado por corrupção, mas, ao mesmo tempo, é também um exemplo para todos os políticos: ninguém está acima nem abaixo da lei. A lei é para todos. No caso do Lula e do PT, a corrupção foi uma coisa institucionalizada para o partido se perpetuar no poder. Outras condenações virão para que a gente possa passar o País a limpo.”
O vereador Corrêa Neves Júnior, presidente do diretório municipal e coordenador regional do PSD, afirma que a condenação foi justa por tudo o que foi apresentado pelo Ministério Público e pelo o que consta na sentença. “Os defensores do Lula se apegam à tese de que, formalmente, o apartamento não era dele. Mas não é isso que está em discussão. A questão é que, independentemente de quem fosse o dono na documentação, o apartamento estava reservado para o ex-presidente, que não pagou por ele, que recebeu inúmeros benefícios para atender às suas demandas e da primeira-dama (Marisa Letícia), no que se saberia depois, era uma troca de favores com uma empreiteira.”
Corrêa não concorda com a tese de julgamento político. “Tudo foi feito respeitando o devido processo legal, com amplo direito à defesa. Lula poderá continuar exercendo este direito nas fases de recursos, portanto, é a democracia e o Estado de Direito em pleno funcionamento.”
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