Parlamento para nos envergonhar


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MANOBRAS NA CCJ APROVAM NOVO PARECER QUE INTERESSA TEMER
 
O brasileiro devem sentir vergonha por colocar como representantes elementos tão daninhos à sua vida. Grande parte dos parlamentares (deputados e senadores) não tem o mínimo interesse em defender os seus eleitorees e envolve-se em negociatas e conchavos que lhes garantam a perenização em seus postos e o acúmulo de bens pessoais. As manobras que se processaram na CCJ (Comissão de Cidadania e Justiça) da Câmara, nos últimos dias, foram amplamente divulgadas e ninguém desmentiu. Da liberação de emendas parlamentares (que mantêm, em pleno século XXI, verdadeiros currais eleitorais no Interior do País) e oferta de cargos comissionados, tudo ocorreu para que a comissão se tornasse favorável ao presidente. A ostensiva troca de integrantes (e a escolha de um novo relator) deixam claro que a manipulação abjeta foi tramada nos porões do Planalto, nos mínimos detalhes.
 
Vamos aos fatos: logo após rejeitar o parecer pela admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer, a CCJ da Câmara aprovou relatório substitutivo que sugere o arquivamento do processo. O parecer alternativo foi aceito por 41 votos a favor e 24 votos contra, além de uma abstenção. O texto contesta a acusação de que Temer teria cometido o crime de corrupção passiva. A CCJ escolheu um novo relator, leu e votou o novo parecer contra a denúncia em pouco mais de uma. O brasileiro se sente envergonhados, menos os deputados, que tentam defender o indefensável: as gravações em posse da Polícia Federal provam que ele teve um encontro nada republicano com o empresário Joesley Batista, calou-se diante de denúncias graves, concordou com ilegalidades e, o pior de tudo, “nomeou” um intermediário que foi filmado correndo com uma mala de dinheiro pela rua em São Paulo.
 
Para a base aliada do governo, agora quem precisa garantir o quórum para garantir o prosseguimento da denúncia é a oposição. No plenário, 342 deputados precisam votar autorizando o STF (Supremo Tribunal Federal) a investigar o presidente Michel Temer. Já a oposição diz que o governo está mudando de estratégia, por não ter votos suficientes para barrar a denúncia. Oferecida pela Procuradoria-Geral da República, a denúncia por corrupção passiva contra Temer precisa ser autorizada pelos deputados. Como na segunda-feira, 17, o Congresso deve entrar em recesso parlamentar, a votação foi marcada para o dia 2 de agosto. O que nos envergonha são as declarações de deputados tentando justificar a sua posição, usando o mesmo argumento do advogado de defesa do presidente, Cláudio Mariz, que foi mais longe e disse que “pau que bate em Chico bate em Francisco”, dizendo que os deputados da CCJ poderiam igualmente ser condenados pela Justiça. 

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