Nunca antes na história do País


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JUIZ MORO CONDENA LULA NO CASO DO TRÍPLEX: HÁ AINDA MAIS 4 PROCESSOS
 
O que o Brasil aguardava há vários meses finalmente aconteceu. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além da perda dos direitos políticos por 19 anos (o dobro da pena de privação de liberdade). A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento tríplex no Guarujá (litoral de São Paulo). A sentença prevê que Lula poderá recorrer em liberdade. Na decisão, Moro afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. No total, Lula responde a cinco processos na Lava Jato. Nesta semana, o Ministério Público pediu a absolvição do ex-presidente em um dos processos, relativo a uma investigação da Justiça Federal sobre a suposta tentativa de obstrução da Justiça por parte de Lula. Outros implicados, como o dono da OAS, também foram condenados à prisão.
 
A demora em definir a punição demonstra que o juiz Moro utilizou toda a cautela possível na coleta de provas e no arrazoado, no sentido de evitar que a sentença seja facilmente revertida nas instâncias superiores por inconsistência. Caso Lula não consiga mudar a condenação em segunda instância, poderá ser preso e perder os seus direitos políticos. Como até agora a segunda instância tem mantido as penas determinadas por Sérgio Moro aos réus da Lava Jato, a expectativa é de que o ex-presidente pode ir parar atrás das grades, a se considerar o que vem acontecendo até aqui. É a primeira vez em toda a história do País em que um ex-presidente da República (e que vem se apresentando como candidato ao pleito do ano que vem) é condenado criminalmente por crime de corrupção. É uma mancha em sua história que dificilmente será apagada, mesmo que a pena seja reformada pela Justiça.
 
Luís Inácio Lula da Silva tinha todas as condições de passar à história como um dos maiores presidentes do País. Mas, ao se cercar de uma quadrilha que perpetrou verdadeiro assalto aos cofres públicos, certamente terá seu nome associado à rapinagem e à corrupção utilizadas para manter um plano de poder. Os avanços de seus dois mandatos, principalmente no âmbito social, hoje são vistos mais como medida populista para arrebanhar votos. E, no final, resolveu culpar a esposa morta pelas decisões que acabaram levando aos processos que responde. Não adianta Lula — que abandonou todos os “companheiros” presos — garantir que nada fez ou que não sabia de nada. A sentença do juiz Sérgio Moro prova isso. O Brasil espera que todos os outros integrantes da quadrilha também sejam julgados e condenados.

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