J&F vende Alpargatas aos donos do Itaú por R$ 3,5 bilhões


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O dono da JBS, Joesley Batista, acertou a venda de sua participação na fabricante de calçados Alpargatas por R$ 3,5 bilhões. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
O dono da JBS, Joesley Batista, acertou a venda de sua participação na fabricante de calçados Alpargatas por R$ 3,5 bilhões. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
MÔNICA BERGAMO E RENATA AGOSTINI
 
(FOLHAPRESS) - A J&F, de Joesley e Wesley Batista, acertou a venda de sua participação na fabricante de calçados Alpargatas por R$ 3,5 bilhões para as famílias que controlam o banco Itaú. O acordo foi selado na noite desta quarta (12).
 
O acerto prevê o pagamento à vista. Toda a fatia dos Batista, que hoje possuem 54% do capital total da fabricante da Havaianas, será transferida a um grupo de investidores formado pelas empresas Itaúsa, Cambuhy e Brasil Warrant.
 
A Itaúsa, das famílias Setúbal e Villela, ficará com a maior parte das ações negociadas -metade da fatia vendida pela J&F. A gestão, porém, será compartilhada com Brasil Warrant e Cambuhy, ambas dos Moreira Salles, outra família sócia do Itaú.
 
As negociações estavam aceleradas nos últimas semanas e havia a expectativa de que a operação fosse fechado no domingo (9). Mas um impasse sobre o preço atrasou as tratativas. Os donos do Itaú insistiam em um desconto.
 
Ao final, acabaram concordando com os R$ 3,5 bilhões pedidos pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A J&F foi assessorada na operação pelo Bradesco BBI e pelo escritório Bichara Advogados.
 
O controle da Alpargatas foi comprado da Camargo Corrêa em novembro de 2015. A J&F pagou R$ 2,7 bilhões pela participação da empreiteira, superando a própria Cambuhy na disputa à época. O dinheiro para a compra foi todo levantado na Caixa. Em sua delação premiada, Joesley afirmou que houve pagamento de propina para que o empréstimo saísse.
 
ALÍVIO
A venda da Alpargatas ajudará a J&F na negociação com os bancos credores, que vêm pressionando a empresa a se desfazer de ativos para que renegociem financiamentos.
 
O conglomerado dos Batista e a companhia de alimentos JBS, por eles controlada, têm dívida bilionária e vivem uma aguda crise de reputação desde que Joesley e Wesley firmaram acordo de colaboração, no qual confessaram uma série de crimes.
 
Na tentativa de contornar a crise, os Batista iniciaram um programa de venda de empresas para levantar pelo menos R$ 15 bilhões nos próximos meses. A fabricante de lácteos Vigor e a de celulose Eldorado também estão sendo negociadas. Na JBS, as operações no exterior da Moy Park e da Five Rivers Cattle Feeding estão à venda.
 
Com receita de R$ 4 bilhões em 2016 e dívida baixa, a Alpargatas era um dos ativos mais valiosos do grupo. A J&F precisa se desfazer dos ativos para reduzir sua dívida e para arcar com as parcelas das multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência fechado com as autoridades. 

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