Roteiro batido e bem conhecido


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AÇÃO PARA POUPAR TEMER DA DEGOLA, ALÉM DE IMORAL, é de CAUSAr NÁUSEAS
Enojante: nada mais expressa o que causam no brasileiro os lances das últimas semanas, em Brasília, diante da tentativa desesperada de impedir que o Congresso Nacional autorize o STF (Supremo Tribunal Federal) a abrir processo contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção. O verdadeiro troca-troca que foi implementado pelo Planalto, que não é inédito, já tendo sido usado pelo menos nos últimos seis mandatos presidenciais (de FHC, passando por Lula até chegar a Dilma Rousseff), volta a se repetir agora, com Temer. Votos favoráveis ao presidente da República na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados (que aprecia o pedido apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot) foram “vendidos” por partidos aliados, além da compra de apoio daqueles que não foram substituídos. Mesmo que o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) seja reprovado na comissão, o plenário da Casa é quem irá decidir se Temer será processado ou não.
 
E aí é que a situação fica mais perigosa para o atual chefe da Nação, ainda mais quando se sabe que este troca-troca nada vale, já que não é possível atingir a plenitude do número regimental de votos a favor de Michel Temer só com a distribuição de cargos e liberação de emendas parlamentares. Vide o exemplo da antecessora, Dilma Rousseff, que agiu da mesma forma. E, pelo andar da carruagem, o roteiro parece seguir o mesmo compasso do anterior: agora, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já articula a derrubada de Michel Temer para assumir o Planalto. Da mesma forma que antes, preocupa o presidente e seus assessores, já que o presidente da Câmara está conseguindo arrebanhar apoio junto aos integrantes da base aliada do governo. Como se pode ver, o mesmo filme se desenrola, mostrando bem a qualidade da grande maioria dos parlamentares brasileiros.
 
Michel Temer está vendo até auxiliares próximos aceitando o assédio do seu virtual substituto. Rodrigo Maia vem recebendo deputados da base e na noite de segunda-feira foi anfitrião do ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, com quem conversou longamente. Segundo a Folha de S. Paulo, o deputado garantiu que manteria o ministro no cargo caso suceda Temer. Aos jornalistas, disse que discutiu a crise fiscal do Rio de Janeiro. O PSDB, o mais forte aliado do presidente (cuja sustentação permitiu a queda de Dilma e a assunção do vice, no ano passado). já vem abandonando o barco. Outros partidos também ensaiam uma rebelião, que pode selar o destino do presidente Temer, que hoje vive situação semelhante à de Dilma – ele trabalhou nos bastidores para derrubá-la – e sente agora na pele as agruras de quem não pode confiar nos que o cercam.

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