Dois ex-prefeitos de Igarapava, uma ex-servidora da Prefeitura e três empresários do município foram presos, ontem, na operação “Pândega” deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), núcleo de Franca, e pela Polícia Militar. Entre os presos, estão os irmãos Carlos e Sérgio Augusto de Freitas, que já administraram a cidade. O grupo é acusado pela promotoria de fraudar licitações para desviar dinheiro público.
Promotores de Justiça e policiais da Força Tática deixaram Franca por volta das 4 horas para cumprirem mandados de prisões temporárias e buscas e apreensões em 32 endereços de Igarapava, Pedregulho, Ribeirão Preto e Delta (MG).
As diligências tiveram como finalidade apurar fraudes e desvios de verbas públicas em licitações para realização de obras e prestação de serviços de publicidade oficial do Município. Segundo o Gaeco, no período de 2013 a 2016, a organização criminosa fraudou procedimentos e dispensou indevidamente licitações, especialmente para prestação de serviços de transporte de pacientes da área da saúde e de estudantes, favorecendo determinadas empresas. “As irregularidades ocorriam, basicamente, da mesma forma: ou dispensando licitação indevidamente para contratar determinada empresa ou fraudando os pregões presenciais. Em contratos milionários, comparecia apenas aquela empresa escolhida, inclusive, porque na maioria dos procedimentos foram usados documentos falsos”, disse o promotor Adriano Mellega.
Os contratos firmados com as empresas e que são alvo de investigação somaram, nos últimos quatro anos, aproximadamente R$ 26,4 milhões. A promotoria afirma que o ex-prefeito Carlos Augusto de Freitas, que administrou a cidade até o dia 31 de dezembro de 2016, tinha conhecimento das fraudes. “Por meio de e-mails interceptados, constatamos que ele tinha plena convicção a respeito disto, inclusive, com a nomeação da servidora em cargo comissionado. Ela cuidava de boa parte destes desvios licitatórios”.
Ainda de acordo com a acusação, Sérgio, irmão de Carlos, ocupava posto-chave no esquema. “Ele não possuía nenhum vínculo formal com o município, mas, durante as investigações foi possível denotar que ele estava em desvio de função, usurpando o exercício da função de prefeito, recebia cotações e cobrava resultados dos agentes que trabalham nas licitações”.
Os seis presos foram trazidos para Franca e apresentados no 3º DP. No fim da tarde, foram recolhidos na cadeia do Guanabara. Os acusados e os advogados não quiseram gravar entrevista.
Não é a primeira vez que Sérgio tem o nome envolvido com a polícia. Em 1998, ele era o vice do prefeito Gilberto Soares dos Santos, o Giriri, que foi assassinado a tiros. Sérgio assumiu a Prefeitura por dois anos e foi acusado de ser o mandante do crime. Até hoje ele não foi julgado. Em 2009, quando era vereador, Sérgio foi preso acusado de extorquir o então prefeito Francisco Tadeu Molina.
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