Selvageria nos campos de futebol


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PAIXÃO PELO FUTEBOL AINDA CAUSA MORTE DE TORCEDORES. ATÉ QUANDO?
O final de semana trouxe de volta o pesadelo da violência nos estádios de futebol, em jogos das séries A e B. Se em São Januário, após a vitória do Flamengo sobre o Vasco por 1 a 0, pela Série A, houve vítima fatal e três feridos em tumultos com a PM no interior e ao redor do estádio, no Beira-Rio, pela Série B, depois do empate por 1 a 1 do Inter com o Criciúma, alguns torcedores colorados voltaram a promover quebra-quebra. No Rio, o campo de jogo foi invadido e os jogadores do Flamengo (que venceu a partida) tiveram que deixar o gramado sob escolta depois que a selvageria se instalou no estádio. Em Porto Alegre, até paralelepípedos foram utilizados como armas, mas, por sorte, só um segurança foi atingido de raspão. Até quando o brasileiro vai continuar acompanhando este tipo de comportamento? Vivemos uma situação preocupante, uma vez que o futebol, verdadeira paixão nacional, vem motivando confrontos violentos, a maioria deles promovido por torcidas organizadas.
 
A selvageria envolvendo um esporte que deveria ser sinônimo de congraçamento e lazer, tem afastado muitos torcedores que não compactuam e nem se sujeitam à violência que tem tomado conta dos estádios, chegando até às rodovias que demandam às cidades onde acontecem jogos entre rivais. Emboscadas são armadas e, não raro, terminam em mortes ou ferimentos muito graves. A falta de punição é apontada como principal motivador deste tipo de ação: 17% dos brigões são reincidentes. E segundo o Ministério do Esporte, apenas 3% dos processos de violência no âmbito esportivo acabam em condenação. Chegamos a um ponto onde não se pode mais admitir que esta violência atinja também quem se dispõe a deixar sua casa para torcer pelo time do coração. 
 
Já vai longe o tempo em que famílias inteiras faziam da partida de futebol do domingo uma diversão semanal. O mais assustador é que a maioria das chamadas torcidas organizadas recebem incentivos dos próprios clubes, conseguindo ingressos mais baratos e até ajuda de custo para o transporte para outras cidades. Enquanto não houver uma responsabilização efetiva daqueles que usam o anonimato das torcidas organizadas para praticarem o espancamento e o assassinato de semelhantes que não compartilham a mesma paixão clubista, a violência envolvendo o futebol só pode aumentar. A Justiça precisa ser mais rigorosa e rápida no sentido de identificar, indiciar, julgar e sentenciar estes assassinos que não merecem o epíteto de torcedores, como se fez na Ingletarra que conseguiu acabar com este tipo de situação. Só assim os torcedores de verdade poderão expressar a sua paixão pelo time do coração, sem radicalismos, violência ou exacerbação. 

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