A escritora francana Vanessa Maranha lança, no dia 22 de julho, seu segundo romance, Começa em Mar, pela Editora Penalux. A noite de autógrafos será no Espaço Cultural do Shopping do Calçado em Franca. Em meio aos preparativos para o lançamento, Vanessa trocou ideias com seu amigo, o designer gráfico Edmo Ferreira Júnior, no Facebook. E o bate papo se transformou numa deliciosa entrevista, na qual Vanessa revela um pouco do seu processo criativo. Acompanhe:
Edmo - Uma vez assisti uma entrevista com Jorge Amado e Zélia em que ela disse que ele entrava em uma introspecção tamanha quando escrevia, que, na madrugada, ela acordava com as discussões dele com seus personagens, beirando a esquizofrenia...Eu queria saber como é seu processo criativo, Vanessa. O mundo ao redor desaparece e você imerge na ficção que você cria?
Vanessa - Sim, Edmo! Posso estar na cadeira do banco, esperando a senha; posso escrever no papel da lista do supermercado. Não preciso me retirar fisicamente do caos. E saio dele de corpo presente. Como uma organização interna. Nesse sentido, sim, o mundo desaparece e vou morar por um tempo na ficção, o bilhete de volta nas mãos.
Edmo - Que poder maravilhoso. É quase melhor que voar...de repente você é uma antena parabólica captando o mundo e depois entra em um silêncio transcendental, sem droga, e passa a viver no mundo que você imaginou...
Vanessa - É como ter um lugar bom pra visitar. E sair dele, quando chega o ponto final, é de uma angústia tremenda. Lido com isso gestando um novo projeto antes do término do livro em curso. Vou lançar o novo romance dia 22 (22/7). Mas já mergulhei num outro, que já tem forma e atmosfera. É só o tempo da respiração. É lisérgico, sim.
Edmo - Deve ser uma viagem ter saudades desses diversos mundos que você habitou e pensar que se um personagem tivesse feito escolhas diferentes, o fim do livro poderia ter se encaminhado para novo destino.
Vanessa - Não releio os meus livros depois de publicados, p não sentir essa angústia e para respeitar quem eu estava sendo naquele momento.
Edmo - Você planeja o livro inteiro antes de escrevê-lo? Ou parte dele você deixa que as personagens decidam dentro das personalidades que você criou pra elas?
Vanessa - Em geral, tenho uma premissa, uma paleta de cores e temas, mas o personagem vai se escrevendo conforme a vida corre. Para cada personagem/personalidade/contexto há um conjunto de encaminhamentos mais ou menos esperados. Mas é quando eles me surpreendem q eu os amo. No Começa em mar, terminei encantada pela personagem Jordana, que começou periférica e ganhou escopo. Transbordou-se tanto que me jogou no novo projeto. As personagens são generosas, algumas polinizam.
Edmo - Que lindo essa possibilidade de um mundo dentro do outro. É quase como Deus oferecendo o livre arbítrio dentro de uma arena de acontecimentos, ou de um palco...bacana demais! E em relação às palavras, você escreve e procura sinônimos para realçar ?
Vanessa - Eu só confirmo o significado depois. Digo que a matéria de um livro é o tempo. Ele precisa envelhecer um pouco, sem que se perca contato com ele. Salman Rushdie (escritor britânico) disse que só se está mesmo dentro do romance após a página 50. Eu vou retrabalhando-o enquanto ele progride. Fazendo a semiótica dele enquanto ele se tece. Estrutura-se um livro, às vezes, com poucas frases que são como vigas.
Escritora Premiada
Vanessa Maranha é autora com prêmios, finalismos e participações na bagagem. Participou de várias antologias de contos, entre elas +30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2007), organizada por Luiz Ruffato. Em 2001 foi finalista ao Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale; em 2004, venceu seleção de contos da Universidade Federal de São João Del-Rei (MG). Foi selecionada para as oficinas literárias da FLIP em 2010 (Jornalismo Literário), 2012 (Crítica Literária) e 2016 (Shakespeare; promovida pelo British Council). Em 2012 venceu o Prêmio Off Flip, no ano seguinte, o Prêmio UFES de Literatura (Universidade Federal do Espírito Santo) com o livro de contos Quando não somos mais (EDUFES, 2014) e também o Prêmio Barueri de Literatura 2013/2014 com Oitocentos e sete dias (Multifoco, 2012). Foi finalista ao Prêmio São Paulo de Literatura 2015 com o seu romance de estreia Contagem regressiva (Selo Off Flip, 2014). E,m 2016 lançou o livro de contos Pássara, pela Editora Patuá. Começa em Mar é o segundo romance da autora e recebeu Menção Honrosa do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016.
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