Números são enganadores


| Tempo de leitura: 2 min
DEFLAÇÃO REFLETE A SITUAÇÃO DE CRISE ECONôMICA POR QUE PASSA O BRASIL
Ainda não é hora de comemorar. O próprio governo, embora demonstre otimismo, ainda segura a euforia com a melhora nos índices dos últimos meses. O IBGE (Instituto de Geografia e Estatística) anunciou ontem que a queda nos preços de energia elétrica, alimentos e combustíveis em junho fez o País ter a primeira deflação em 11 anos. O IPCA, índice oficial de inflação, recuou 0,23% no mês. Esse movimento de queda de preços — a deflação — não ocorria desde junho de 2006 e é o mais baixo desde agosto de 1998, quando o IPCA caiu 0,51%.
 
De acordo com a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes, o País vive um movimento de redução acelerada da inflação em função, principalmente, da crise econômica e do desemprego, que desestimulam o consumo -- e que “levam o comércio a fazer ofertas e promoções”. Outro ponto que se destaca é uma melhora significativa nas safras agrícolas. “O País está num período de desemprego muito grande e a renda continua caindo”, afirmou a coordenadora. Mesmo diante deste índice, não pode haver animação, já que a inadimplência continua grande. 
 
A questão dos alimentos no ano passado, com quebras de safras (e alta de preços), não foi pontual. Os alimentos são um quarto da despesa do trabalhador. É um conjunto de fatores que levam à deflação. Além da questão conjuntural, contribuíram pontualmente para a deflação a queda de 0,77% no índice de habitação, que verifica os custos que incidem sobre os lares, como serviços públicos, alugueis e condomínios. Também ajudou o recuo de 2,84% no preço dos combustíveis, que levaram o grupo “Transportes” a uma queda de 0,52% no período. Ainda houve forte redução, de 5,52%, nas contas de luz, que reverteram a alta de 8,98% em maio graças à mudança da bandeira vermelha para a verde.
 
Como se pode ver, os números são enganadores e ainda não traduzem a real situação da economia brasileira. Ainda temos mais de 13 milhões de trabalhadores fora do mercado de trabalho, o que traz impacto sensível no consumo: o preço cai na gôndola do supermercado diante da redução dos compradores.
 
No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 3%, abaixo da meta oficial do governo, de 4,5%. Desde abril deste ano que o índice acumulado vem mais baixo do que a meta — algo que não ocorria desde agosto de 2010 e o mais baixo desde março de 2007, quando o indicador foi de 2,96%. A inflação vem perdendo força desde o final de 2016. O índice acumulado em 12 meses chegou a superar os 10% no começo do ano passado. Agricultores comemoraram supersafras; uma maior oferta de alimentos, num momento de demanda fraca, fez cair o preço de produtos importantes na cesta básica do brasileiro. Oxalá a situação perdure!

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários