A regra do jogo


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A entrevista exclusiva concedida por Joesley Batista da JBS, à revista Época, escancara e atesta algo que, infelizmente, a nação já sabia: A corrupção no país é endêmica, institucional e atinge todas as esferas de poder. Segundo o delator, foi Lula e o PT que institucionalizaram a corrupção, criando núcleos de organizações criminosas em vários setores governamentais. 
 
Paga-se propina até para se obter um benefício legal. E o pior é que esse modelo acabou sendo reproduzido por outros partidos e políticos, inclusive o Presidente Temer do PMDB que, agora, seria o novo ‘chefe da quadrilha’, conforme narra o próprio entrevistado. Para Joesley — que convenhamos não é nenhum “santinho” — ele não corrompeu, mais foi achacado, pois se não sujeitasse às regras desse jogo funesto, o seu negócio empresarial pereceria.
 
Uma pessoa com um mínimo de patriotismo, ao ler a entrevista, certamente sentirá náuseas e aumentará a descrença, que já é reinante, com a nossa classe política. Sim, pois é a corrupção que realimenta a corrupção, pois com o dinheiro obtido com ela é que a grande maioria dos nossos políticos consegue se reeleger. 
 
O que a nação espera é que a “Operação Lava Jato” interrompa, definitivamente, esse ciclo perverso, fazendo com que tais condutas não venham a se reproduzir, no futuro. Porém, a verdadeira punição aos transgressores deverá ocorrer através das urnas eleitorais.
 
Infelizmente, na Itália, decorridos alguns anos do término da “Operação Mãos Limpas”, as práticas que ela própria condenou, retornaram naquele país. Parece que no mundo, realmente, “nada se cria, tudo se copia”, tanto no bom como no ruim.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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