Quem tem acompanhado com atenção os últimos lances do embate político que se trava em Brasília percebe que Poderes Executivo e Legislativo não estão preocupados com os destinos de nosso País. Eles trabalham apenas em torno das necessidades daqueles que se sentem ameaçados pelas investigações da Lava Jato e o conteúdo das dezenas de delações premiadas que coloca até o presidente Michel Temer (PMDB) sob suspeita. Ministros, senadores e deputados, na berlinda, buscam salvar as suas peles e, se possível, conseguir vantagens.
A sequência de fatos demonstra bem claramente como posição dos dois lados: a oposição defende a cassação de Temer e a base aliada (nos últimos dias não tão aliada assim) defende a sua permanência no Palácio do Planalto. Os cenários traçados por ora são preocupantes: em nenhum deles os que mais interessam, o Brasil e o seu povo, sairão vencedores. Mas em alguns a situação poderá ficar ainda pior.
O que muitos não entendem é que um velho dito popular, “ruim com ele, pior sem ele”, é aplicável à situação política do Brasil na atualidade. Qualquer mudança, seja qual for, jogará no esgoto as melhorias que, mesmo pequenas, têm permitido ao Brasil dar mostras de que tem fôlego para contornar a grave crise econômica dos últimos sete anos: a inflação está abaixo da meta prevista, as exportações deram um salto, a Petrobras recupera produção e rentabilidade, as estatais deram R$ 10,5 bilhões de lucro nos primeiros três meses do ano, além do aquecimento da indústria automobilística e o aumento no índice de emprego.
Temer tem usado o poder e a caneta para conseguir que a CCJ da Câmara arquive o pedido do procurador Rodrigo Janot, além de ter “aliviado” em pontos das reformas trabalhista e da Previdência para agradar parlamentares e sindicalistas. Distribui cargos para vencer a resistência de alguns “aliados”. A permanência do presidente (que já teve ex-ministros e auxiliares próximos presos) é garantia de melhora nos índices econômicos, mas seria necessário que ele afastasse de vez as suspeitas e eliminasse as “pedras” que atravancam o seu governo, como ministros suspeitos.
Caso Michel Temer tenha o mandato cassado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB-RJ) assumiria a presidência por três meses, ao final dos quais o Congresso elegeria um presidente de forma indireta, que ficaria até o final do ano que vem. Com Rodrigo Maia, não há garantias de manutenção da política econômica. O presidente eleito indiretamente é uma incógnita maior ainda. E o brasileiro, no meio de tudo isso, continua sendo ignorado. O bem-estar do País tem que ser a principal preocupação. Mas, pelo que se vê, não é o que eles pensam.
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