Fazendo diferença


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Mesmo descrentes, não podemos permitir que a indiferença tome conta de nós. Ainda que observemos diariamente telejornais, jornais impressos, portais de notícias e seja lá qual for a fonte noticiosa séria que acompanhamos repetirem-se ao contar em gênero, número e grau a bandalheira que caracteriza esta nação como pátria-mãe da mais depravada corrupção da história do mundo, temos que sair da letargia. Ainda que as notícias pareçam as mesmas de ontem – empresários, políticos e autoridades beneficiados por dinheiros escusos cujo centavo é o milhão – e ainda que saibamos que o dinheiro metido no bolso, na bolsa, na cueca, na mala é o nosso, precisamos nos manter alerta para acompanhar as brechas legais que as leis brasileiras oferecem a investigados.
 
Não à toa, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, referindo-se esta semana à liberação de Rocha Loures, “homem da mala” com dinheiro de propina direcionado ao presidente Michel Temer, disse explicitamente que “só prova satânica selaria em definitivo a ligação entre (os dois)”. Ainda assim, não canso de afirmar que podemos fazer diferença. Chega de ficar calado! Quem cala, e a sabedoria popular de nossos avós atesta, consente. Até se entende que juízes sejam obrigados, por dever de ofício a fazer cumprir leis que vigoram, mesmo que com elas não concordem, mas sonho com um Judiciário verdadeiramente cidadão, capaz de glosar leis viciadas; contestá-las, dando a tais momentos, publicidade adequada.
 
A indispensável revolução de caráter que o Brasil não pode mais deixar de empreender passa, e que não se pense o contrário, pelo posicionamento público, intenso e até revolucionário, se for o caso, de magistrados que já se cansaram de contrariar a própria consciência e meramente aplicaram o texto olegal gerado por um Legislativo espúrio – canceroso quase no todo, conscientes em parcela ínfima – e obediente a interesses partidários distantes dos reais desejos da população brasileira. Daria certo? Daria. A luta nacional contra a corrupção e a impunidade empreendida pelo Ministério Público tornou-se referencial. Pode-se entender que os resultados ainda não são os sonhados, mas há o que se comemorar, permitir crença de que ainda há tempo.
 
Quanto a nós, motivo do deboche da bandidagem que elegemos, precisamos tornar claro o que pensamos. Caminho válido é dizer de nossa insatisfação. Aproveitemos a sessão de ‘Cartas’ deste Comércio, os espaços de manifestação públicas do gcn.net.br. Também, usemos melhor as redes sociais pondo fim a mensagens descerebradas e checando veracidade de tudo, antes de compartilhar. Somos muito mais do que já perdemos a vergonha de mostrar!
 
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br

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