A violência está em todo o lugar: esta é a sensação de grande parte da população brasileira, conforme demonstra pequisa Datafolha divulgada ontem. Um a cada três brasileiros tem medo da violência urbana nas ruas de seu bairro tanto quanto da Polícia Militar, que deveria remediá-la. Realizado em 194 municípios do País, o levantamento apontou que 49% dos brasileiros têm medo de ser alvo de violência por parte da Polícia Militar e 60% têm medo de andar nas ruas da vizinhança depois do anoitecer. Um terço (35%), no entanto, tem medo das duas coisas.A sensação de vulnerabilidade e a ideia de que não há a quem recorrer, dizem especialistas, promove isolamento, enfraquece a coesão social e favorece a busca individual de medidas de segurança, nem sempre lícitas e que não melhoram o quadro geral.
O brasileiro, refém do medo, que se prende intramuros enquanto a bandidagem anda solta, se sente indefeso, já que não acredita nem na polícia que deveria prover a sua segurança. Ainda de acordo com os especialistas, o temor da polícia ou do crime não estão ligados a uma experiência anterior de violência. Por isso, não necessariamente quem foi vítima de um crime ou de abuso policial tem mais medo que aqueles que nunca passaram por isso. As notícias que se reproduzem diariamente nos órgãos de mídia são responsáveis pelo medo do brasileiro.
Ao mesmo tempo em que uma mulher grávida foi atingida por uma bala perdida em uma comunidade do Rio de Janeiro, policiais do Denarc de São Paulo (que deveriam estar combatendo o tráfico de drogas) foram presos por roubar entorpecentes que eram vendidos na cracolândia na Capital do Estado (isso só para ficar nas notícias recentes). A violência parte de todos os lados e não encontra um freio na legislação penal brasileira, sendo que os responsáveis por reprimi-la unem-se ao crime organizado. No final, não se sabe a quem recorrer, ainda mais diante de um Código Penal leniente e sujeito à manipulação e à interpretação humanas. Bandido precisa ficar preso e arcar com os seus crimes em regime fechado. As sentenças têm que ser mais duras e cumpridas em sua integralidade, para contemplar aos anseios de justiça da grande maioria dos brasileiros.
Ao lado disso, agentes de segurança não podem se aliar àqueles que deveriam combater. Por isso, o brasileiro segue movido pelo medo e já perdeu as esperanças de que a situação mude proximamente. A mudança deve contemplar não apenas nosso Código Penal, mas também tem de vir de cima para baixo, atingindo não apenas o Legislativo, mas sim, principalmente o Judiciário. A lenta (e leniente) Justiça brasileira precisa se tornar mais ágil, severa e capaz de transformar o sentimento do brasileiro no que diz respeito à violência.
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