Enquanto o Congresso Nacional não voltar atrás e restituir o imposto sindical na reforma trabalhista o Brasil vai continuar vendo manifestações como as realizadas ontem em diversos pontos do País. Na maioiria delas, a ação truculenta de elementos a cargo destas centrais (que só sobrevivem graças ao dia de labuta cobrado de cada trabalhador brasileiro) tentava obrigar quem queria seguir para o seu local de trabalho a ficar pelo caminho. Obstáculos foram criados e, por isso, foi necessária a intervenção de forças de segurança para garantir o direito daqueles que não pretendiam participar do “dia de greve” das centrais e sindicatos. O que não se viu, destas entidades, é a defesa do pleno emprego. O mercado continua deteriorado, com quase metade daqueles em idade de trabalhar sem emprego: a taxa de ocupação (os empregados) ficou em pouco mais de 53%.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de desempregados no País chegou a 13,8 milhões de pessoas no período de março a maio deste ano. O instituto considera que houve estabilidade frente ao trimestre imediatamente anterior, encerrado em fevereiro, quando a desocupação foi estimada em 13,5 milhões de pessoas. Na comparação com o mesmo período de 2016 houve alta de 20,4%, com um adicional de 2,3 milhões de pessoas desocupadas. Este número contempla apenas o emprego formal (contratação menos demissões), que há mais de um ano apresenta resultado negativo. Estes, aparentemente ninguém defende, nem as centrais sindicais e muito menos o poder público (Executivo e Legislativo), todos mais preocupados com o próprio bolso.
O nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas em idade de trabalhar, também atingiu o menor nível da série histórica da pesquisa para trimestres encerrados em maio (53,4%). Em relação a maio de 2016, houve queda de 1,3 ponto percentual (54,7%). A população ocupada chega a 89,7 milhões, sendo que número praticamente igual está sem emprego (quem não encontra vaga mais os “nem nem”, que nem trabalham e nem procuram emprego). É um número expressivo que precisa receber atenção daqueles que se dizem defensores dos trabalhadores. Embora alguns índices tenham melhorado, como a inflação (ajustou-se à meta, que pode até ficar menor), o endividamento público e o desemprego continuam trazendo preocupação. As reformas trabalhista e da Previdência deveriam se preocupar com maior intensidade em resolver estes dois problemas. Só assim é que será possível dizer que o Brasil terá superado a crise econômica. Do contrário, nós — que pagamos os impostos que mantêm os Três Poderes — continuaremos sem representatividade, inclusive junto às entidades sindicais.
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