Não se pergunta outra coisa nos bastidores políticos de Franca. “Gilson foi ou não para a Argentina”? Uma coisa é certa. O prefeito não fez segredo de que viajaria.
Na quarta-feira, 21, Gilson foi à inauguração da loja Markinho Automóveis. Avisou o cerimonial que não poderia ficar muito tempo, pois iria viajar na madrugada seguinte. Ele me disse que iria para a Argentina com a mulher e um grupo de amigos. E que pagaria as despesas com dinheiro dele.
Adérmis Marini (PSDB) e Marco Garcia (PPS), líderes da oposição, estavam na festa e ficaram sabendo da viagem. Marco, aliás, foi convidado para o mesmo passeio em maio.
Contei sobre a viagem na coluna passada. Só após a publicação, veio à tona uma exigência da Lei Orgânica do Município: para se ausentar do País, o prefeito precisa de autorização dos vereadores, sob pena de perder o mandato. Ao ver a nota, o advogado Denílson Carvalho ligou para o prefeito e o orientou a não embarcar. Faltavam 15 minutos para o avião levantar voo. Até onde sei, Gilson teria seguido o conselho.
O episódio leva a uma reflexão. A lei que vigora em Franca é incoerente e precisa ser revista. O prefeito, seja ele quer for, não pode atravessar a ponte da Amizade na divisa com o Paraguai, nem por um minuto, sem as bênçãos da Câmara, mesmo que ele for pagar as despesas. Mas pode passar duas semanas em qualquer lugar do País torrando recursos públicos sem avisar.
João Dória (PSDB), prefeito da maior cidade do País, está programando para outubro sua sexta viagem internacional. Em São Paulo, o prefeito só depende de autorização Legislativa se for se ausentar da cidade por mais de 15 dias.
Medo de avião: Não é comum prefeito de Franca sair do País. Se não me falha a memória, o último a cruzar nossas fronteiras foi Gilmar Dominici (PT), que embarcou para a Itália em 2002. A viagem provocou uma situação ainda mais rara. O vice, Cassiano Pimentel (PT), era candidato a deputado federal e não pôde assumir a Prefeitura. A vaga de prefeito foi ocupada pelo presidente da Câmara, Vanderlei Tristão.
Olhar para o próprio umbigo: A Câmara, que cobra explicação de Gilson, permite que vereadores façam viagens com dinheiro público sem precisar devolver o que sobra. Não é regra geral mas, idas a Brasília ou a São Paulo, muitas vezes, servem de pretexto para o vereador aumentar a renda mensal.
Sarna para se coçar: O ex-prefeito de Cristais, Miguel Marques (PSDB), que acaba de ter as contas rejeitadas pela Câmara, vai ser Oficial de Gabinete de Gilson de Souza. Tucano, Miguel Marques também tem assuntos a resolver com o Ministério Público.
Edson Arantes
Jornalista
edson@comerciodafranca.com.br
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