Perdido no meio do mar, sem boia


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O presidente Michel Temer (PMDB), durante um pronunciamento na tarde de ontem, lembrou a sua antecessora Dilma Rousseff (PT) nos meses que antecederam o seu impeachment, ao tentar salvar seu mandato diante da iminência de um processo. Bastante nervoso, na maioria das vezes mostrando-se indignado, outras cínico e usando de ironia, o presidente acreditou dar uma resposta à ação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pediu a abertura de processo contra o atual ocupante do Planalto por corrupção passiva. Há outros dois pedidos que deverão ser apresentados dentro dos próximos dias.
 
Como era de se esperar, Temer repediu a mesma ladainha dos últimos tempos, garantindo que não há provas de que tenha recebido propina do empresário Joesley Baista, do grupo JBS, além de investir contra o Ministério Público e a PGR. Aplaudido por seus apoiadores, Temer saiu satisfeito, considerando que deu uma resposta “dura” e garantiu apoio no Congresso Nacional para impedir uma investigação no STF (Cupremo Tribunal Federal). Porém, só quem apoia o presidente pode no seu pronunciamento. Muitas das informações estão equivocadas e não corresponde à verdade.
 
A primeira delas: a gravação de Joesley Batista é uma prova ilegal. Acontece que o próprio STF já considerou gravações ocultas sem autorização da Justiça podem ser consideradas provas válidas no tribunal desde que o autor da gravação seja um dos interlocutores. A segunda: denúncia da PGR é ilação e não traz provas. As provas existem e estão lá: gravação do Joesley, gravações com o ex-deputado Rocha Loures, os vídeos e escutas feitos pela PF, as malas de dinheiro, o fato de Temer ter sido gravado mandando o empresário procurar Loures e tudo o que se desenrolou depois, além da enorme proximidade do ex-deputado preso com o presidente. Outra afirmação controversa de Temer: disse que Joesley Batista estava para ser preso e fez denúncias para escapar da cadeia. Quando fez a denúncia, Joesley Batista e suas empresas eram investigados em pelo menos seis operações da PF (Zelotes, Greenfield, Carne Fraca, Cui Bono?, Bullish e Sepsis), mas não estava formalmente acusado em nenhum inquérito da PF ou do MP e não era réu em nenhuma ação penal. 
 
Houve apenas uma única verdade: realmente o ex-procurador Marcelo Miller deixou a PGR em março e foi trabalhar no escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que representou a holding J&F durante parte das negociações que levaram ao fechamento de acordo de leniência entre o grupo econômico e o MPF. Miller seria um dos principais auxiliares de Rodrigo Janot, conforme o presidente. Porém, o escritório afirmou em nota que deixou de tratar do acordo antes da admissão de Miller e a PGR garantiu que o ex-procurador também não participou dos processos envolvendo Joesley.
 
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