A solidão do poder


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Denunciado formalmente e ameaçado de tornar-se réu pela prática de crimes, o presidente Michel Temer vive a solidão do poder. Cercam-no aliados também problemáticos que, como num abraço de afogados, esperam desesperadamente, via corporativismo, a oportunidade se safar. 
 
Por mais que o governante e seus ainda seguidores tentem dar um ar de normalidade ao momento, infelizmente observa-se que a normalidade inexiste. 
 
Por razões diferentes e em contexto diverso, o momento guarda semelhança com os estertores do governo do presidente João Goulart que, em 13 de março de 1964, fez o famoso comício da Central do Brasil, prometendo profundas reformas, e foi deposto no dia 31 daquele mesmo mês.
 
Temer não corre o risco de deposição imediata, mas há de aceitar que tem problemas e dificilmente conseguirá implantar reformas profundas, por mais necessárias e inadiáveis que possam ser. 
 
Seu governo já não reúne a base parlamentar sólida de que dispôs no começo, pois muitos dos congressistas aliados temem a possibilidade de morrer abraçado com um governo cujo líder é impopular e já anunciou o fim de carreira. 
 
Parece que até a liberação de emendas parlamentares e de outras benesses perderam o poder de outrora, já que os interlocutores do Congresso precisam preservar a imagem, pois no próximo ano terão de se encontrar com o eleitorado, cada dia mais bem informado, e pedir o voto de reeleição. 
 
Tivesse só tentado administrar a massa falida, sem a pretensão de passar para a história como a megalomaníaca imagem de grande restaurador, o presidente poderia se dar melhor, contabilizando os bons resultados da reação da economia já registrados. Hoje, no entanto, diante da agudização da crise, esses pontos positivos correm o risco de se perderem. 
 
É cada dia mais difícil prever o que será do país nos próximos meses e até o próximo ano, e para qual tipo de eleição os brasileiros serão chamados a participar. As sonhadas grandes reformas, como se denota, estão cada dia mais inviáveis, entre elas, a reforma política e eleitoral.
 
Temos de sepultar os maus hábitos políticos, administrativos e empresariais. Só dessa forma, um dia, poderemos ser a sonhada nação próspera, justa e humana...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo

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