“Tá no prego!” É assim que falam quando algo está estragado em Frei-Remigio, próximo à Morada Nova, no Ceará. E quando Arilson de Almeida saiu de sua cidade e veio aos quatorze anos trabalhar em Franca como garçom, deu esta explicação ao homem que pediu um suco de laranja. “Moço, a máquina tá pregada”. O cliente ficou sem entender e insistiu. Pediu que Arilson, então, tirasse a máquina do prego e fizesse seu suco. “Mas a máquina está desmatelada!”, respondeu Arilson, imaginando porque o homem não entendia o que ele havia acabado de dizer. Mas a diferença no jeito de conversar não foi, nem de longe, a maior dificuldade que Arilson de Almeida enfrentou quando decidiu buscar seu tesouro na cidade de Franca. Arilson fala muito rápido, tanto, que meu lápis quase não consegue escrever a sua história; esboça sorrisos discretos ao contar dos desafios que enfrentou neste percurso, e ri escancaradamente na cara das dificuldades.
O menino cearense teve uma infância difícil na roça. Faltava luz, não tinha água e seus pais dedicavam a vida ao trabalho como agricultores, mas ele não acompanhava o ritmo familiar, pois “tinha preguiça”, foi o que ele disse com um sorriso brincalhão. E foi com seu jeito matreiro, mas jamais preguiçoso, que Arilson se colocou à disposição das peripécias do destino, arremessando sua carcaça no desconhecido.
Sua grande viagem começou com a iniciativa de sua tia Maria Enilce, que já morava em Franca e que nas férias costumava visitar Arilson no Ceará. Era grande a vontade da senhora de trazer o menino para a Terra do Sapato, porém, por ser muito jovem, seus pais não autorizavam, mas de tanto tia Enilce insistir, os pais deixaram que Arilson viesse aos quatorze anos.
Deixou no Ceará o sonho de ver sua irmã Letícia crescer. Trabalhou como garçom, sapateiro, foi atendente no shopping e entregador numa casa de frios como modo de sobreviver longe da família. Se esforçou tanto e de diversas maneiras porque desde o início de seu percurso, tinha como objetivo ajudar os pais que tanto lutavam no campo.
Porém, em meio de tantos trabalhos, seu coração foi bater mais forte quando seu chefe jornalista (que também era dono de um dos restaurantes em que Arilson era garçom), realizou uma matéria investigativa, e enquanto o patrão entrevistava algumas pessoas, Arilson segurava o lápis e o papel e anotava o percurso da entrevista.
Percebeu então, que precisava ir atrás de seu baú premiado, pois aquilo havia mexido verdadeiramente com seu coração, e o mapa do tesouro foi uma placa que viu em seu trajeto cotidiano em meados de 2009: Curso de Locutor.
Seguiu a intuição e fez sua matrícula, contou com a ajuda de seus patrões que o liberavam mais cedo do trabalho para que conseguisse conciliar a rotina de estudos com suas obrigações. Em seguida, mediante seu esforço e talento, conquistou seu espaço na rádio Difusora em 2010. Ele começou editando spots, gravando e editando áudios. Na sequência, passou a fazer matérias jornalísticas, e a apresentar um programa na emissora aos domingos que se chamava Difusora, música e informação, e, depois , o Mix Difusora.
Hoje Arilson enche de orgulho Dona Liduina, seu pai Arilton, sua irmã Letícia e a sobrinha Priscila, pois ele é apresentador de sucesso na Difusora, faz participações nos programas Rádio Cidade e Boteco do Tio Lima. Além disso, Arilson tem uma produtora de vídeos e apresenta o programa Na Balada, na TV Franca, que traz os bastidores e a galera bonita presente nos shows e festas de Franca e região.
É isso Arilson, não pare de voar! Ou como dizem no Ceará: Continue “no rumo da venta”!
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