'Eu durmo, acordo, levanto, vivo para os automóveis'


| Tempo de leitura: 6 min
Devo tudo a meu pai. Ele me ensinou a trabalhar e, ao longo da vida, sempre me incentivou muito em tudo que sempre fiz.’
Devo tudo a meu pai. Ele me ensinou a trabalhar e, ao longo da vida, sempre me incentivou muito em tudo que sempre fiz.’
Marquinho ainda era uma criança, tinha apenas 12 anos quando começou a respirar o ambiente de compra e venda de veículos. Curioso e trabalhador, começou a ajudar o pai, Geraldo dos Santos Ferreira, o “Peroba”, a comercializar carros. O talento para negociar era nato: aos 14 anos, conseguiu comprar sozinho o próprio Fusca, ano 1963, azul.
 
Os anos se passaram e o que era apenas um meio de ajudar os pais, se transformou em negócio. Marco Antônio Soares Ferreira, o Marquinho, fez a vida negociando veículos. Hoje, aos 46 anos, se consolidou como um empresário de sucesso. 
 
Na noite da última quarta-feira, dia 21, inaugurou sua nova loja na avenida Antônio Barbosa Filho. São três mil metros quadrados de área construída onde cabem 120 carros. O prédio tem três pavimentos interligados por elevador panorâmico, teto retrátil, áreas de escritório e cozinha gourmet. Foram cinco anos de obras e alguns milhões de investimento. Pelo menos mil pessoas acompanharam a solenidade de inauguração. 
 
Vale a pena conhecer a história de Marquinho.
 
Como começou sua carreira profissional? 
Comecei a trabalhar com carro aos 12 anos de idade. Meu pai era taxista e passou a fazer negócio com carro. Naquela época, a gente ainda não tinha garagem. Era o famoso marreteiro, comprava e vendia na rua. Depois, ele montou um lavador, onde lavávamos os carros de clientes e também vendíamos. Ganhando uma comissãozinha, uma corretagem, lavando carros e ajudando meu pai, consegui comprar meu primeiro carro aos 14 anos. Depois, comecei a trabalhar com um amigo, José Carlos Medeiros, quando eu tinha uns 17 anos. Ele tinha loja e nós colocávamos os carros lá para vender e pagávamos comissão para ele. Trabalhamos juntos por muito tempo, graças a Deus, foi um amigão. Foi uma escola boa. Saí de lá e montei a primeira loja, que foi na avenida Doutor Hélio Palermo. Depois, consegui comprar o terreno da avenida Major Nicácio e construí lá a loja em baixo e a casa em cima. Fiquei lá por 23 anos e, agora, mudei para o novo prédio na avenida Antônio Barbosa Filho.
 
Como surgiu seu interesse por carros? 
Meu pai, desde quando era motorista de táxi, sempre trocava os carros dele e acabou se interessando por esse negócio. E eu, sempre andando junto com ele, me interessei pela área e ali começou tudo. Só que sempre trabalhamos separados, meu pai me ensinou a trabalhar e o resto foi serviço e muitas noites e madrugadas sem dormir, trabalhando fim de semana em feirão, lutando. A vida de venda de carros é difícil, tem muitas viagens. Sempre trabalhei com os pés no chão, só comprava o que o dinheiro dava, sempre trabalhei com tudo dentro do limite.
 
Qual foi a importância do seu pai, ‘o seu Peroba’, no seu sucesso profissional?
Devo tudo a ele. Meu pai me ensinou a trabalhar e me incentivou muito. Perdi meu pai há um ano e sete meses, está muito recente, ele sempre esteve muito presente comigo. Meu pai acompanhou aqui o início da obra desse novo prédio, viu um bom pedaço. Para mim, meu pai não estar aqui nesse momento, me deixa de coração apertado. 
 
Qual é a sensação de se mudar para o novo prédio? 
Sempre tive a vontade de mudar o estacionamento para um lugar maior, porque onde estava é pequeno. Eu tocava duas lojas, uma outra na rua Homero Alves, que no começo era apenas depósito, depois acabou virando loja. Meu sonho era juntar tudo num lugar só. Daí surgiu a oportunidade de comprar o terreno onde construi a nova loja. Comecei a construir esse prédio em 2012. Fui fazendo devagar, sem dívida, e acabou agora. Isso aqui é um sonho, é uma vida de serviço.
 
Quanto investiu para construir a nova loja?
Foi um valor bem alto, é um prédio cobiçado na cidade, de esquina, é de frente para três ruas em local privilegiado. Como fui fazendo aos poucos, em cinco anos, não sei dizer hoje o quanto eu gastei.
 
O que leva um empresário a acreditar e fazer um investimento tão alto em um País que atravessa crise financeira e com uma legislação tão burocrática?
Primeiro, sou apaixonado por Franca, sou nascido e criado aqui. O comércio de veículos é o meu ramo. Vendi dois sítios na época, que eu tinha com café, para começar a construir. Isto aqui é minha paixão. É a realização de um sonho.
 
A crise econômica afetou o mercado de compra e venda de veículos?
No meu caso, afetou um pouco, mas corremos atrás e trabalhamos mais para continuar fazendo bons negócios. No momento de crise, é preciso usar a criatividade e trabalhar mais. Foi o que fizemos.
 
Você reuniu quase mil pessoas na inauguração da loja e se emocionou ao discursar para os convidados. Como define aquele momento?
Foi muito emocionante, um sonho mesmo. Os clientes e amigos me receberam com muito carinho. No trajeto até o palco, não conseguia andar direito, pois todo mundo me parava para abraçar e me cumprimentar. Eu venho de uma família simples, humildade, é o meu jeito de ser. Não tem como não se emocionar. Foi muito bonito, fiquei muito feliz e agradeço a todos. Mas já disse que não vou mudar em nada. O que mudou foi só o espaço físico. O Marquinho vai continuar o mesmo. 
 
A que você atribui seu sucesso na carreira?
Esse sucesso se deve, em primeiro lugar, à humildade. Sempre trabalhei certinho, nunca dei um problema para ninguém, graças a Deus. Um carro deu defeito, uma multa, um documento, sempre resolvi esses problemas, nunca deixei ninguém no prejuízo. Me responsabilizo por tudo.
 
Qual é o segredo para vender um carro?
Você tem que trabalhar com mercadoria boa, oferecer preço bom, o seu carro tem que ser mais barato do que o do vizinho, ter taxa boa de financiamento, também é preciso ser honesto e transparente na negociação. Concretizar uma venda, é bom para todos. Faço de tudo para o cliente sair satisfeito. Felizmente, temos clientes em toda a região, no Estado de São Paulo inteiro, em Minas Gerais e, até, no Rio de Janeiro. São muitos anos de tradição e conhecimento. Eu durmo com automóveis, levanto com automóveis, vivo para os automóveis
 
Quantos carros você vende por mês?
Lá na loja da Major Nicácio, vendemos uma média de 40 carros por mês. Agora, esperamos vender 60 carros por mês. Estamos muito confiantes que vamos atingir a meta. Aqui teremos todos os carros juntos num lugar só, o que vai facilitar. Agora, é trabalhar para pagar as contas.
 
O crescimento de sua empresa e o investimento que fez chamaram a atenção de montadoras. Procede a informação de que a Markinho Automóveis poderá se transformar em concessionária?
Sim, é verdade. Recebi e estou avaliando três propostas para virar concessionária. Estamos estudando qual será a melhor forma, mas acredito que até o fim deste ano ou começo de 2018, com certeza, vamos virar concessionária. Por enquanto, tenho que manter os nomes em sigilo. Em breve, se Deus quiser, vamos divulgar. Será um grande avanço na empresa. O prédio tem dois andares e foi projetado para isto. Será um andar para concessionária e outro para o seminovo. Não vou largar o seminovo nunca.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários