Meio período é pouco


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O mundo hoje precisa se empreendedores, criadores e pessoas polivalentes. Só que a escola, como instituição imprescindível, nem sempre consegue acompanhar o ritmo das mutações da ciência e da tecnologia. Todos já perceberam que as aulas prelecionais, monologais e teóricas não atraem infância e juventude plugada nas redes sociais e com circuitaria neuronal inteiramente digital.
 
Por isso é que surge a urgência de oferecer às jovens oportunidades de aproveitamento muito mais consistente de seus estudos, do que a mera obtenção de diplomas. De que vale um diploma, se ele não habilitar o diplomado a obter satisfação pessoal resultante de poder exercer a profissão desejada? O saber é sempre gratificante, mas as pessoas precisam subsistir com a obtenção de recursos gerados por seu trabalho. E o trabalho hoje requer especialistas em áreas que nem sempre estão na cogitação da escola.
 
O estudo precisa ser uma vocação permanente para todos os humanos. Não é por outra razão que a Constituição da República erige a educação como direito de todos e dever do Estado, da família e da sociedade. A grande maioria do alunado ainda está no regime dos cursos regulares, com meio período de aulas. Mas isso é pouco. Já está comprovado que o ensino integral - o dia todo na escola - oferece resultados muito tangíveis em eficiência. Supera em muito o meio período.
 
Enquanto não é possível a ampliação do ensino integral para atender à totalidade da Rede Pública, o importante é que as famílias se compenetrem de que é de relevância extrema oferecer ao aluno a chance de um contraturno. De preferência um ensino técnico, pois esse aprendizado concomitante habilitará o aluno a terminar o ensino regular com uma profissão garantidora de seu futuro. Apenas 18% dos brasileiros que concluem o Ensino Médio chegam à Universidade. Enquanto isso, os técnicos nas áreas mais disputadas percebem salários muito maiores do que os portadores de nível superior. 
 
É o momento de famílias e sociedade participarem também, orientando os jovens para que saibam escolher aquela atividade mais prazerosa, a qual passarão a exercer durante as próximas décadas e que trará, além do indispensável sustento próprio e familiar, uma insubstituível satisfação pessoal. Em síntese, meio período é insuficiente. É muito pouco. Vamos preencher o outro turno com estudos que multipliquem nossas perspectivas para o amanhã.
 
José Renato Nalini
Secretário da Educação do Estado de São Paulo

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