O País do “jeitinho” vem sofrendo, nos últimos tempos, as consequências de sua trajetória. É evidente que um quebra-galho não é capaz de contornar os vários problemas que todo o Brasil enfrenta, nos mais diversos setores. Como diz bem o velho ditado popular, o barato sai caro. Muito caro. Não adianta construir moradias com materiais inferiores: um dia a casa cai, literalmente. Basta ver o problema de núcleos de moradias do Minha Casa Minha Vida em diversas cidades, onde o lucro foi a principal motivação dos responsáveis pela obra, quando deveria ter sido o bem-estar dos moradores. Vivemos num país onde propinas (de um dinheirinho para a cervejinha a milhões para o enriquecimento de velhacos) correm a rodo e poucos se incomodam com isso: virou cultura chinfrim tentar levar a melhor sobre o semelhante. No fim das contas, as consequências sempre são pesadas.
A decisão dos Estados Unidos em proibir a entrada da carne “in natura” brasileira no seu território causou alvoroço. Um dia antes, sabedor das restrições que os EUA vinham fazendo ao produto brasileiro, o Ministério da Agricultura interditou os cinco frigoríficos sob suspeita pelos norte-americanos, mas não adiantou. O baque criado pela Operação Carne Fraca, aparentemente, não foi suficiente para que o governo revisse sua política de gestão, indicando políticos para cargos eminentemente técnicos, e a fiscalização continuou “meia boca”, expondo o Brasil como irresponsável. Com uma classe política capaz de “liberar” a venda de medicamentos potencialmente perigosos a despeito da posição contrária da agência reguladora, é difícil que nosso País consiga sair com facilidade de mais este imbróglio.
O problema maior é que a decisão dos EUA pode impactar todo o setor produtivo, já que os grandes importadores da carne brasileira (como Japão, China, Rússia e países da Europa) podem seguir o mesmo caminho. E aí, como é que ficarão não apenas os frigoríficos livres de contaminação, mas principalmente os pecuaristas brasileiros? Caso a fiscalização brasileira estivesse blindada da politicalha que enlameia o Brasil lá fora, por conta da corrupção endêmica, dificilmente passaríamos por esta situação. Mas ainda resta a saber como é que ficará o mercado interno: o consumidor brasileiro ficará à mercê de um produto de qualidade duvidosa? Se nem a carne vendida ao exterior é submetida ao rigor da fiscalização sanitária, o que acontece dentro do nosso território? Não adianta, agora, apontar para “problema pontual” ou o presidente ir a uma churrascaria (que serve carne argentina) para garantir a qualidade do produto nacional. É necessário um trabalho sério de fiscalização e acompanhamento para que a carne brasileira readquira a confiança internacional. Antes que seja tarde.
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