(ao insano verão de corações gotejantes)
no dia em que fecho o passado
pelas verdes frestas no mar
vislumbro o impossível futuro
e, plácido, nego todas as possibilidades.
não viria em nome de Deus.
em meu nome talvez tentasse,
mas a solidão coletiva
inibe meus heróicos orgasmos.
a multidão voraz se inquieta
e caminha para lugar nenhum
sendo o mesmo ponto a chegada
deixada para sempre quando da partida.
a praia aflita ilumina os dentes tardios.
crianças sorriem programadas,
pais moderadamente descontrolados bebem
e todos estão tristes por terem vindo.
não vim em busca dessa foto
nem eles a previram nos ledos planos,
no entanto aqui se condenaram a chegar
e me assusto ao constatar que sou um deles.
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