A empresa Furnas Centrais Elétricas confirmou que encaminhou 70 notificações extrajudiciais aos ocupantes de imóveis da Vila Residencial da Usina Hidrelétrica do Estreito que se encontram em situação irregular. Após protestos dos moradores, a companhia amenizou o tom inicial de despejo imediato e abriu espaço para o diálogo.
Em nota enviada ao Comércio, Furnas informou que, dos 352 imóveis existentes no Estreito, 216 moradores optaram pela compra. Outros 66 são imóveis residenciais, que estão ocupados por empregados ou prestadores de serviços ativos, imóveis comerciais ou são espaços de domínio público. “Os 70 restantes, objeto das notificações, são ocupados por pessoas que, atualmente, não possuem qualquer vínculo com a empresa.”
Nas notificações enviadas aos moradores, Furnas deu prazo de 30 dias para desocuparem o imóvel, bem como demolir e remover qualquer edificação que tenham feito. “Não havendo nenhuma providência, Furnas tomará as medidas judiciais necessárias, cujas despesas com honorários advocatícios, custas processuais, custos para demolições de construções e interrupção de fornecimento de energia serão de sua responsabilidade”, avisa o texto assinado por Ramon Alves Bernardes, gerente do Centro de Serviços Compartilhados.
Na nota ao Comércio, o tom adotado pela empresa foi menos incisivo e deu esperanças aos moradores. “A partir do recebimento, os notificados têm prazo de 30 dias para apresentar suas eventuais argumentações, as quais serão devidamente analisadas pela empresa caso a caso.”
A ameaça de despejo imediato repercutiu negativamente e provocou reações. Entre os que receberam as notificações, está uma senhora deficiente visual que mora no Estreito há 47 anos. Também há o caso de um senhor que faz tratamento no Hospital do Câncer e que passou mal ao ser notificado.
Na última terça-feira, as famílias fizeram um protesto na entrada da Vila. No mesmo dia, o vereador Wanderley Moreira de Carvalho, o “Careca”, apresentou uma moção de repúdio contra Furnas. “Não buscaram o caminho de negociação e preferiram notificar e judicializar a questão. Vamos apurar e levar a reclamação até a diretoria e presidência de Furnas. Vamos cobrar e questioná-los sobre essa atitude precipitada com os moradores de Estreito.”
Quarta-feira à noite, a associação de moradores fez reunião com dezenas de participantes para definir uma estratégia de defesa.
“Alguns moradores resolveram esperar Furnas analisar as argumentações. Já os meus clientes decidiram que devemos entrar na Justiça, requerendo liminar para manter a posse dos imóveis”, disse o advogado Reginaldo Carvalho.
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