Para que serve a autonomia? Autonomia e responsabilidade são as duas facetas da mesma moeda, pois, ao exercer aquela, necessariamente surge essa tal como causa e efeito. O que fazemos com a autonomia que temos? Ao refletir sobre isso podemos chegar a várias situações conflitantes. Veja na política. Tivemos o presidente Lula que tinha tudo para entrar para a história mundial como um grande líder, tal como Mandela ou Gandhi, mas, dependendo do resultado da Lava Jato, a imagem será bem outra. Da mesma forma o atual presidente Temer, um grande professor de Direito Constitucional, que tive o privilégio de ler o seu principal livro, além de participar de algumas palestras, e, agora, também, dependendo das investigações, aquela imagem positiva poderá transformar em negativa, como parece já estar. A forma como lidamos com a autonomia que temos constrói, mantém ou destrói a imagem que edificamos ao longo da existência, e, assumir ou não as responsabilidades pelos atos praticados é fundamental nesse processo.
Sugiro que você leitor faça uma reflexão de toda autonomia que possui e, principalmente para que ela serve. Da minha parte, eu me questiono se como professor contribuo no desenvolvimento da autonomia dos alunos e, para isso, busco quais são os melhores métodos, técnicas, etc. Acredito que o aluno tem que superar o professor e que esse tem que ser um facilitador, um instigador e um norte no processo de formação e de capacitação. Acredito também que todo conhecimento obtido com os estudos permite autonomia, mas só eles, sem ação, produz uma autonomia limitada e deficitária, pois autonomia está ligada também a ação, ao movimento, ao desejo e realização do desejo. Autonomia sem frutos é o mesmo de ter liberdade e manter-se preso aos preconceitos, aos tabus, crenças limitantes já que na liberdade tem-se espaço para agir, mas, infelizmente, muitos se mantém presos.
A grande questão é: o que fazemos com a autonomia que temos? Utilizamos para edificar uma sociedade justa, solidária e fraterna, ou só para o nosso bel prazer? Para Kant autonomia é o “princípio supremo da moralidade”, pois “se ajo por amor a humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento”. Diante dessas reflexões é possível afirmar que existe um paradoxo entre autonomia (possibilidade de nos governarmos pelas nossas próprias leis) e liberdade? Será que as nossas ações, por nossas vontades, são leis universais da natureza?
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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