Quando é que vamos parar?


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Os fatos dos últimos anos traçam um preocupante panorama que pode anuviar o futuro da humanidade, no que diz respeito à tolerância, seja ela religiosa, de gênero ou de raça. O Brasil, é um Estado laico e se formou alicerçado no sincretismo religioso que remonta à época da escravatura. As religiões afro sempre conviveram com o cristianismo, o que serviu para fundir datas e comemorações em Estados como a Bahia, onde o candomblé anda quase de braços dados com a Igreja Católica. Aliás, em seus primórdios, o candomblé criou uma correspondência entre seus orixás com santos do catolicismo, o que acabou sendo tolerado e hoje até provoca festas religiosas como a lavagem da escadaria da Igreja do Bonfim, em Salvador, num congraçamento que deveria se estender País afora, mostrando tolerância, respeito e fé.
 
No mundo, porém, não é o que estamos assistindo, diante das demonstrações de preconceito e ódio que acabam sendo estimuladas por religiosos radicais que não suportam nada que não diga respeito às suas crenças e convicções, tentando obliterar a fé e as crenças de um semelhante. Os reflexos estão no relatório divulgado ontem pelo Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), divulgado ontem. Segundo ele, o número de pessoas forçadas a deixar seus locais de origem por causa de conflitos, perseguições, violência ou violações de direitos humanos chegou a 65,6 milhões no final de 2016, o maior da história. Trata-se de uma população maior do que a do Reino Unido obrigada a viver em campos de refugiados e outros locais precários. O número inclui 22,5 milhões de refugiados, 40,3 milhões de deslocados internos (movimentaram-se dentro de seus próprios países), além de 2,8 milhões de pessoas cuja solicitação de refúgio está em análise. A guerra civil na Síria, que desde 2011 matou quase 500 mil pessoas, produziu o maior número de refugiados, 5,5 milhões, além de 6,3 milhões de deslocados internos.
 
Quem não consegue conviver com as diferenças escancaram a intolerância. Pretos e brancos, católicos e evangélicos, homossexuais e heterossexuais, somos todos iguais e que a morte equipara. Somos cópias de uma mesma matriz, carne e sangue. Opiniões contrárias devem ser estimuladas, provocando um debate de ideias que não pode passar disto. Ao ver as atrocidades que se cometem em nome de raça, religião e diferenças culturais e de gênero mundo afora, ninguém pode ficar refratário ou considerá-las “normais” na atualidade, onde tanto se luta por igualdades e solidariedade. O ser humano vive em sociedade e não pode expor o semelhante a situações desagradáveis – e muitas vezes degradantes – em nome de uma diferença que não torna este ou aquele melhor do que o outro. É preciso apaziguar estas demonstrações para termos um futuro de paz e harmonia.
 
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