EUFORIA DO GOVERNO AINDA NÃO SE REFLETE NOS NÚMEROS DA ECONOMIA
Bastou uma pequena melhora nos índices econômicos, principalmente por causa da inflação, que pode até ficar abaixo da meta de 4,5%, para que o Planalto já comece a estudar um “pacote de bondades” para a indústria, contando com a plena recuperação da atividade industrial. Anteontem, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) apostava na redução do desemprego já a partir de agosto. Porém, os últimos índices divulgados não garantem esta possibilidade, uma vez que somente o setor do agronegócio conseguiu números positivos no comércio exterior, impactando positivamente a balança comercial do trimestre passado. Mas, de acordo com levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), os últimos números ainda são negativos, principalmente quanto ao desemprego, a maior preocupação do brasileiro na atualidade.
Segundo a Pesquisa de Nível de Emprego da entidade, a indústria paulista fechou 3 mil postos de trabalho em maio na comparação com abril, representando uma queda de 0,13%. Com ajuste sazonal, o recuo é de 0,3%. Em relação a maio do ano passado, a queda chega a 4,07% com o fechamento de 92,5 mil vagas. O decréscimo nas contratações do setor de açúcar e álcool no último mês teve maior peso para o resultado. De acordo com a Fiesp, isso se deve ao fim do período da safra agrícola, quando as contratações começam a perder força. Em maio, as usinas contrataram 1.077 trabalhadores. Em abril, o número de vagas abertas chegou a 7,7 mil. O resultado seria ainda pior se não fossem as contratações das usinas de açúcar e álcool ao longo do ano.
A situação mostra claramente que ainda não existe sinal de recuperação do emprego na indústria paulista. Excluindo as usinas de açúcar e álcool, haveria um saldo de apenas mil contratações ao longo dos cinco meses deste ano. No acumulado de 2017, o setor industrial de São Paulo está positivo, com a criação de 19,5 mil vagas. Dos 22 setores analisados na pesquisa, oito tiveram resultado positivo.
Entre os destaques estão os segmentos de produtos diversos (1,04%), móveis (0,85%) e produtos têxteis (0,81%). Em números absolutos, o setor alimentício foi o que criou mais vagas: 878 contratações. Oito setores apresentaram recuo. Os destaques negativos são: artefato de couro, calçados e artigos para viagem (-1,4%), máquinas e equipamentos (-1,17%) e outros equipamentos de transporte (-0,84%). O segmento de máquinas foi o que mais fechou vagas de trabalho, com redução de 1.932 postos. Como se pode ver, a notícia não é boa para Franca, já que os milhares de empregos fechados nos últimos dois anos ainda não foram recuperados, demonstrando que a deterioração domercado de trabalho pode perdurar por mais tempo do que o governo espera.
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