Nós, seres humanos, nos relacionamos com os outros por ser uma necessidade integrativa da nossa humanidade. Relacionamos com pessoas cotidianamente e nesse encontro com o outro também, e infelizmente, se abre espaço para o desencontro, para a possessão, para o domínio e controle. Aqui reside o problema.
Somos seres livres e qualquer relacionamento, mesmo que não tenha intimidade e ou afeto, deve-se pautar na liberdade de ir, vir e permanecer se for da vontade de ambos e qualquer controle exacerbado releva abuso prejudicial ao relacionamento e até para as pessoas.
Manter um relacionamento abusivo, no qual impera o ciúme, o controle dos desejos, das vontades, dos sonhos, das realizações, acaba por destruir a pessoa que aceita ser vítima, embora, na maioria das vezes a vítima não consegue se libertar do abusador e acaba achando, equivocadamente, que a culpa é sua e não do abusador.
Ficar livre do abusador, portanto, em alguns casos, exige muita determinação da vítima e pode ser necessário socorrer-se até do Judiciário para impedir os atos violentos. É necessário romper com o vínculo de abuso.
A vítima precisa fazer uma análise desse relacionamento, mudar a sua postura e, exigir também uma mudança de postura do abusador, que pode ser tanto homem quanto mulher, pois relações abusivas ocorrem entre casal hétero e homo, embora prevaleça o homem como maior vilão.
Em um relacionamento saudável não pode haver espaço para qualquer conduta violenta ou abusiva. Não somos propriedades de ninguém. A vida, juntamente com a liberdade e a dignidade são direitos inalienáveis, intransigíveis e indisponíveis, pois são direitos fundamentais da pessoa humana.
Abrir mão desses direitos é abrir mão da própria humanidade, da personalidade e da identidade.
Fazer uma autoanálise é um modo poderoso de aumentar a inteligência interpessoal indispensável ao desenvolvimento saudável.
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário
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