As vendas do comércio varejista subiram 1,0% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, informou nesta terça-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 1,70% a alta de 1,30%, mas acima da mediana das projeções, que estava negativa de 0,65%.
Na comparação com abril de 2016, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,9% em abril de 2017. Nesse confronto, as projeções iam de uma retração de 3,00% a crescimento de 1,00%, com mediana negativa de 1,20%. Foi a primeira alta nessa base de comparação após 24 meses seguidos de queda. As vendas do varejo restrito acumularam retração de 1,6% no ano e queda de 4,6% em 12 meses.
Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 1,5% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 1,10% a alta de 1,80%, com mediana positiva de 0,10%.
Na comparação com março de 2016, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 0,4% em abril de 2017. Nesse confronto, as projeções variavam de uma retração de 4,40% a avanço de 0,60%, com mediana negativa em 2,85%. As vendas do comércio varejista ampliado acumularam queda de 1,8% no ano e redução de 6,3% em 12 meses.
Média móvel
O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito caiu 0,2% em abril, segundo o IBGE.
No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas teve alta de 0,3% em abril.
Revisão
O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em março ante fevereiro, de um recuo de 1,9% para queda de 1,2%.
A taxa de fevereiro ante janeiro também foi revista, de queda de 1,6% para um recuo mais brando, de 0,4%. Já a taxa de janeiro ante dezembro de 2016 passou de uma alta de 6,0% para um avanço de 5,5%, enquanto a variação de dezembro de 2016 ante novembro daquele ano passou de queda de 1,7% para recuo de 1,9%.
No varejo ampliado, também houve revisão no resultado de março ante fevereiro, que saiu de queda de 2,0% para um recuo menor, de 0,8%. A taxa de fevereiro ante janeiro passou de uma alta de 0,6% para um avanço de 0,2%.
Atividades
A alta de 1,0% nas vendas do varejo em abril ante março ocorreu em três das oito atividades pesquisadas pelo IBGE. Mesmo com a alta de 1,0% nas vendas em abril ante março, o nível de vendas do varejo está 9,9% abaixo do pico histórico, registrado em novembro de 2014.
O destaque foi o segmento de "hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e fumo", com alta de 0,9% na passagem de março para abril. A gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, chamou atenção para o fato de a alta de 0,9% em abril ante março ter sido precedida de quedas em março e fevereiro, com um recuo acumulado de cerca de 6,0%.
O desempenho das vendas nos supermercado foi influenciado pela redução da inflação e teve "algum impacto" da liberação das contas inativas do FGTS, afirmou Isabella.
Também registraram altas as atividades Tecidos, vestuário e calçados (3,5%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (10,2%), que também registraram taxas positivas frente a março de 2017.
"Embora seja um resultado positivo, ele não está disseminado entre as atividades", disse Isabella.
No sentido oposto, as vendas do varejo de móveis e eletrodomésticos caíram 2,8% em abril ante março. No varejo ampliado, que registrou alta de 1,5% em abril ante março, as vendas do varejo de veículos encolheram 0,3%, enquanto as vendas de material de construção caíram 1,9%. Segundo Isabella, esse desempenho também foi marcado pelo segmento de supermercados.
Base deprimida
A alta de 1,9% nas vendas do varejo em abril ante abril de 2016 foi a primeira nessa base de comparação após 24 meses seguidos de queda, mas há nesse avanço um efeito calendário, por causa do feriado da Páscoa, e uma base de comparação deprimida, afirmou Isabella Nunes.
A Páscoa foi em abril neste ano, enquanto, em 2016, o feriado foi em março. Nas contas de Isabella, sem o efeito da Páscoa, o crescimento das vendas do varejo em abril seria de apenas 0,2% ante igual mês de 2016.
Segundo a pesquisadora, a Páscoa puxa vendas de ovos e barras de chocolate, bombons e pescado, especialmente nos supermercados. "Os impactos da Páscoa não atingem todo o comércio de forma igual", afirmou Isabella, lembrando que o desempenho do varejo em abril foi concentrado nos supermercados.
Além isso, Isabella lembrou que a base de comparação com abril de 2016 é bastante deprimida. Em abril de 2016, as vendas registraram queda de 6,9% ante igual mês de 2015. Por isso, a pesquisadora do IBGE recomendou "relativizar" a alta das vendas em abril ante o ano passado. "Esse número individual de abril de 2017 ainda não é uma reversão", disse Isabella.
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