Atlas, ou Atlante, na mitologia grega, era casado com Pleione, com a qual teve sete filhas conhecidas como Plêiades (as conhecidas estrelas do céu). Alguns linguistas explicam que essa palavra deriva do verbo grego “tlanai” que significa endurecer ou suportar. Como ele foi um dos titãs rebeldes, Zeus, diferentemente do que fez aos demais, condenou-o a sustentar o mundo para sempre. Eis porque toda coleção de mapas é chamada de Atlas. E o primeiro atlas foi feito por Ptolomeu.
Não deixa de ser uma curiosidade que o Estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública seja chamado de Atlas da Violência 2017 pois os catastróficos números de homicídios no Brasil, que escandalizam qualquer cidadão civilizado do planeta, não causam nada nos corações endurecidos dos brasileiros. O Atlas-2017 analisou dados do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, referentes ao intervalo de 2005 a 2015, e utilizou também informações dos registros policiais.
O Brasil registrou, em 2015, 59.080 homicídios, ou seja, uma taxa de 28,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Os números mostram um crescimento em relação a 2005, quando ocorreram 48.136 homicídios.
De 2012 a 2015, a taxa de homicídios se mantém estável (29,4, 28,6, 29,8 e 28,9), mas com tendência de subir. O estudo analisa as taxas de homicídio no país, Unidades da Federação e municípios com mais de 100 mil habitantes. Apenas 2% dos municípios brasileiros (111) responderam, em 2015, por metade dos casos de homicídio no país, e 10% dos municípios (557) concentraram 76,5% do total de mortes. Ou seja, uma ação concentrada em cem municípios pode causar uma queda abrupta.
As reduções mais significativas ficaram em estados do Sudeste: em São Paulo, a taxa caiu 44,3% (de 21,9 para 12,2), e, no Rio de Janeiro, 36,4% (de 48,2 para 30,6). Está aí um caminho a seguir pelas autoridades, o que São Paulo está fazendo? Basta replicar para as cidades mais violentas. O governo federal deveria montar um gabinete de crise envolvendo governadores, prefeitos e parlamentares para tratar a violência e coordenar programas de combate e prevenção.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.