Uma categoria desvalorizada


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PROFESSOR É BASE DE TODA PROFISSÃO E PRECISA READQUIRIR SUA IMPORTÂNCIA
Uma das categorias profissionais mais desvalorizadas no Brasil, atualmente, é a do professor. Hoje, a classe dos educadores vê-se encalacrada entre a falta de valorização das autoridades e de respeito de seus próprios alunos e dos pais. Já dissemos aqui que há uma completa inversão na percepção da função dos mestres: a eles cabe ensinar, enquanto a educação de seus alunos deve ser exercida pelos pais, em suas casas. Hoje, exige-se muito do professor sem lhe dar em troca condições dignas de trabalho e de sobrevivência. Há muitos que vivem dias de medo e insegurança, diante das ameaças sofridas dentro das salas de aula. O noticiário policial das últimas décadas mostra bem isso.
 
A valorização da categoria é fundamental como reconhecimento de sua importância. O professor está na base de qualquer profissional formado. Nada acontece caso não exista aquele que ensine as primeiras letras, as operações básicas da matemática e os fundamentos das outras matérias que compõem o currículo escolar básico. Sem o ensino fundamental nenhum indivíduo seria capaz de ascender profissionalmente. Embora ainda tenhamos um alto índice de analfabetismo no País, a base da pirâmide precisa ser estimulada e destacada para que o Brasil avance em termos de educação.
 
Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), da OCDE (Organização para a Cooperação), divulgada em 2014, mostrou que são muitos os desafios a serem vencidos pelos professores do ensino básico no Brasil. Quase 90% acreditam que a profissão não é valorizada na sociedade. Mesmo assim, a maioria (87%) sente-se realizada com o trabalho. Porém, 20% do tempo em sala de aula são usados para controlar o comportamento dos alunos. É uma clara demonstração de que, embora o trabalho de ensinar seja gratificante para a maioria dos profissionais, a falta de condições de rabalho e a dificuldade de se impor dentro de classe são preponderantes para os baixos índices registrados pelo ensino em nossa terra.
 
Além disso, a formação é fator relevante quando se fala da carreira de professor. Os dados do Censo da Educação Superior mostram que, em 2014 (levantamento mais recente), os formandos em licenciaturas foram pouco mais de 217 mil, uma ligeira elevação diante do ano anterior, com 201.353. O número vinha caindo desde 2011, quando foram registrados 238.107 concluintes no grau acadêmico. Em 2012, foram 223.892 — era 145.859 em 2003 e atingiu o pico neste século em 2009, com 241.536 concluintes. Os problemas enfrentados na profissão são preponderantes para esta ‘fuga’. Caso não haja valorização e o professor volte a ter voz ativa dentro da classe, dificilmente conseguiremos reverter a situação difícil pela qual passa o ensino no País.

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