Imagina uma tatuagem feita ponto a ponto. Isso mesmo, um desenho de 30 centímetros utilizando esta técnica. Foi assim que o tatuador francano Djorgenes Martins, 26 anos, conquistou o primeiro lugar na categoria pontilhismo na Convenção Internacional de Tatuagem, em Amsterdã, na Holanda. Foram necessárias 18 horas para a conclusão do trabalho.
O caminho que levou a arte do jovem francano para o outro lado do mundo, teve início em novembro de 2016. Djorgenes conquistou o título de melhor tatuagem da segunda maior convenção de tatuagens da América Latina, em Joinville, Santa Catarina. Como prêmio, ganhou uma viagem para participar da Amsterdam Tattoo Convention, na Holanda. “Eu já tinha planos de sair do Brasil, conhecer a Europa, mas como prêmio eu disse: agora tenho que ir”, disse.
De malas prontas, o jovem conseguiu o contato de um brasileiro que mora na cidade para recepcioná-lo. Rodrigo Camargos, 37 anos, também se ofereceu para ser tatuado pelo artista durante o evento. O trabalho foi apresentado e rendeu o prêmio ao artista francano. “Fui o único brasileiro premiado no evento e a convenção me abriu muitas portas. Tive convites para trabalhar em Portugal, na Inglaterra e em Amsterdã. Para um artista do interior, ter um reconhecimento fora do país, é uma coisa inusitada. Não caiu a minha ficha ainda”, completou. De volta a Franca, Djorgenes retomou sua rotina no Dark House Tattoo Shop, o estúdio que foi reinaugurado três meses antes da viagem para a Europa.
O primeiro prêmio de grande relevância na vida de Djorgenes, foi a conquista do primeiro lugar, também na categoria pontilhismo, da maior convenção de tatuagens da Amércia Latina, a Tattoo Week, em São Paulo. O evento que aconteceu em julho do ano passado, tornou conhecido o nome do garoto do interior.
As convenções são prioridades na carreira do artista. “Se a gente não sai para as convenções, a gente não é visto. Se você divulga, você vai ter o cliente sempre aqui. Só que o meu sonho não é ficar para sempre em Franca. É expandir para o mundo. Levar a minha arte para todos os cantos.”
Nos três anos da carreira, Djorgenes participou de 15 convenções. Em 13 delas foi premiado. “As convenções para mim, são chances de eu poder me superar, cada vez mais, a premiação é um mérito a mais. Um troféu é só um troféu o que importa é a arte que fica pra sempre na pele.”
“Já investi o valor de um carro zero Km em convenções, mas isso elevou minha carreira, me trouxe muito conhecimento e reconhecimento não só em Franca, mas no Brasil e no mundo. No ano passado, fiquei entre os dez melhores na categoria pontilhismo no país e fui reconhecido como revelação do ano de 2016 e promessa para 2017.”
A agenda de Djorgenes já está repleta de eventos para segundo semestre do ano. Em julho, ele participa novamente da Tattoo Week, na capital paulista, e garante levar um trabalho bem diferente. Em agosto, é presença garantida na Tattoo Fair, em Franca. Em outubro, foi convidado para participar como jurado da 1ª Expo Tattoo de Pereira Barreto, São Paulo. Em novembro, está confirmado para a 5ª Convenção Internacional de Tatuagem de Joinville.
Trajetória
Filho de pais evangélicos, mas apaixonado por tatuagens, Djorgenes Martins trabalhava como gerente de uma fábrica de calçados. Aos 22 anos, resolveu que era hora de realizar seu sonho e fazer sua primeira tatuagem. A artista Linete Vaz foi escolhida pelo rapaz para reproduzir o desenho feito por ele mesmo para sua pele.
Linete reconheceu o potencial do garoto ao ver a arte criada por ele no papel e sugeriu que Djorgenes seguisse carreira como tatuador. “Eu pensei: por que não? Comprei uma maquininha, mas fiquei com ela guardada por dois meses, por medo. Fiz a primeira tatuagem em mim mesmo”, disse Martins.
Na terceira tatuagem realizada, Djorgenes começou a cobrar pelo trabalho. Durante cinco meses dividiu o tempo entre a arte e o trabalho na fábrica. Após esse período, o jovem trabalhou junto com Linete por quatro meses, quando decidiu que era hora de alçar um voo maior e abriu o próprio estúdio.
Com apenas dois meses de atuação como profissional, Djorgenes participou da sua primeira convenção em Franca. Não ganhou nenhum prêmio, mas recebeu elogios que atraíram os clientes. “Antes eu tinha um cliente por semana, depois aumentou para um por dia.”
Em casa, ele enfrentou algumas dificuldades no começo, mas foram superadas. Seu pai, Jorge Martins, 54 anos, e sua mãe, Sonia Maria Oliveira Martins, 54 anos, não achavam certo o filho deixar um trabalho registrado para tentar a vida como tatuador. “Eles achavam que tatuagem era uma coisa demoníaca. Hoje eles vêem isso como uma profissão, me respeitam e apoiam.”
Com um estúdio moderno e todo decorado, montado na rua Francisco Barbosa, no bairro Cidade Nova, os clientes que quiserem fazer uma tatuagem com o artista, vão precisar de um pouco de paciência. A agenda de Djorgenes está completa até setembro. “Tenho clientes que esperam até quatro meses para fazer um trabalho comigo. As vezes é até um trabalho simples, mas fazem questão de fazer comigo.”
Além dos trabalhos no estúdio, o jovem viaja em busca de novos conhecimentos e novas técnica. “Fiz uma temporada em um grande estúdio em SP e vi que o forte por lá era o sketch. Era uma febre na capital, assim como a ‘aquarela’. O meu intuito é conhecer os estilos diferentes e trazê-los para Franca. Aqui no estúdio a gente cria, faz trabalhos exclusivos. O cliente pode sempre contar com algo novo, não simplesmente com uma reprodução”, finalizou.
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