Segundo relato bíblico (Gênesis, cap. V, v. 21 a 27), o personagem Matusalém, que teve como descendente Noé, o criador da barca que salvou a humanidade do dilúvio, teria vivido 969 anos. Não sabemos se esse tempo corresponderia à mesma quantidade de translações completas da Terra em torno do Sol, mas não deixa de significar uma certa longevidade. E essa significação se inseriu na nossa língua, de tal modo que a palavra matusalém se tornou adjetivo de vida longa.
Pode ser até que o nosso carinho para com o termo tenha origem numa, até então, ignorada certeza de que também nós poderemos viver tanto. O biomédico inglês Dr. Aubrey de Grey, de 47 anos de idade, está defendendo a tese de que poderemos viver 1000 anos. Para tanto, o Dr. Aubrey, uma figura exótica com os seus cabelos e barba longos, admite que, com o avanço da ciência, será possível substituir órgãos danificados e eliminar do organismo humano células que apresentem defeito. Sem dúvida que a ciência médica vem avançando a passos largos e a vida média do homem aumentado significativamente, a ponto de o próprio Dr. Grey prever que, já nas próximas décadas, será possível vivermos 150 anos.
Não olvidemos, todavia, que, por mais se prolongue a vida material — forte evidência de progresso da humanidade —, não podemos perder a perspectiva de que a vida verdadeira é a espiritual, para a qual, depurados, nos transferiremos, um dia, em caráter efetivo. Consideremos, para as nossas reflexões, que, por mais longa se torne, a vida física sempre será passageira, comparativamente com a eterna vida espiritual. Somos, essencialmente, espíritos e não homens eternos!.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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