Mal é o que entra por nossa boca


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USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS AINDA CONTAMINA ALIMENTOS NO PAÍS
 
O consumidor brasileiro ainda não consegue consumir alimentos livre de adulterações e contaminações. A recente operação Carne Fraca da Polícia Federal demonstrou que pagamos gato por lebre quando se trata de derivados de aves, suínos e bovinos. Há casos em que embutidos, como salsichas e mortadelas, contam com aditivos acima do permitido ou então proibidos. Em passado recente, a adulteração do leite por empresas do Sul do País causou uma preocupação em todos: exames mostraram que o produto processado pelos laticínios continua até ácidos bastante perigosos para a saúde humana. No Brasil, hoje, até medicamentos estão sendo falsificados, colocando em risco centenas de milhares de consumidores, isso sem citar suplementos sem qualquer comprovação de eficácia.
 
Vivemos numa época em que a alimentação saudável é estimulada, já que acredita-se que frutas, legumes, grãos, cereais e outros alimentos naturais só trazem nutrientes e vitaminas capazes de proporcionar mais saúde para o corpo. O que ocorre é que, na realidade, este tipo de alimento trazem ingredientes adicionados à grande maioria deles ainda na terra: os agrotóxicos. Estas substâncias químicas são usadas de forma indiscriminada na agricultura brasileira, a tal ponto que, desde 2008, o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos para manter as pragas longe das lavouras, segundo dados do Ibama. 
 
Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz aponta que cada brasileiro consome, em média, 7 litros desse veneno por ano. Já pesquisa da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ da Universidade de São Paulo) revelou que os agrotóxicos, inclusive os mais perigosos, estão muito presentes na alimentação da população. A pesquisadora Jacqueline Gerage Marques, mestra em ciência e tecnologia de alimentos, cruzou dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com informações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para analisar 743 itens alimentares bastante comuns no nosso cardápio. A conclusão foi que 69 compostos excediam o valor de ingestão diária aceitável para não afetar a saúde de uma pessoa.
 
A situação fica ainda pior quando se sabe que 50% dos agrotóxicos usados no Brasil estão proibidos na Europa, EUA, Canadá e Austrália. Isso quando o produto não sofre falsificações, como ocorreu em Franca, também em passado recente, com o desbaratamento de uma quadrilha. Como já se disse aqui, o interesse público deve se sobrepor aos particulares de nossos parlamentares, mesmo os ruralistas. Da forma como está, coloca-se em risco a saúde de milhões de brasileiros para a manutenção do lucro. 

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