Crise afeta mais a pequena empresa


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SETOR É RESPONSÁVEL PELA METADE DOS EMPREGOS NA INDÚSTRIA, SEM INCENTIVOS
Há muito defendemos aqui neste mesmo espaço a necessidade de mais incentivos para a pequena empresa, inclusive através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) — utilizado nos últimos anos para financiar empresas e obras superfaturadas, das quais um grande número de políticos, partidos e empresários cobravam suas propinas para caixa dois de campanhas eleitorais e para engordar o patrimômio através de depósitos milionários em paraísos fiscais. O processo da lava jato, que se desdobrou em dezenas de outros, descobriu até esquemas de corrupção envolvendo prefeita e vereadores de Ribeirão Preto. Depois da delação de Joesley Batista, um dos mandatários do conglomerado J&S (dono da Friboi e outras grandes empresas no País) ficou bastante claro o uso político dos empréstimos governamentais com juros baixos a quem se dispunha a pagar até “aposentadoria” milionária ao presidente Michel Temer (PMDB). Agora, o prejuízo não será apenas do banco federal de fomento: todos nós, que arcamos com imposto
se tributos escorchantes, seremos obrigados a tapar o rombo.
 
Quem mais sofre é quem não tem qualquer incentivo ou auxílio governamental, como as pequenas empresas, responsáveis pela metade dos empregos na indústria. O setor tem sido o mais afetado pela crise, conforme indica levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Com acesso restrito ao crédito e com menos reservas para suportar a queda da demanda, as indústrias de menor porte têm mais dificuldade de se recuperar da recessão. O estudo mostra que as indústrias de pequeno porte têm obtido indicadores piores que as de grande porte desde o início de 2015, quando o País entrou em recessão. Os números foram obtidos com base na Sondagem Industrial, pesquisa mensal que revela as expectativas e as decisões dos empresários da indústria.
 
Segundo a entidade, a melhoria do acesso ao crédito, a desburocratização e a melhoria do ambiente de negócios representam os principais caminhos para recuperar a atividade da indústria, principalmente das de menor porte. A entidade aponta, como principais dificuldades, taxas de juros elevadas e exigência de garantias reais bens que podem ser tomados pelo banco em caso de calote. De acordo com a CNI, no ano passado, apenas 20% das pequenas empresas conseguiram contratar uma nova linha de crédito, 40% renovaram uma linha antiga e 40% das pequenas empresas não conseguiram contratar nem renovar crédito em 2016. Para a Confederação Nacional da Indústria, a falta de crédito impede o acesso ao capital de giro, causa atraso no pagamento de fornecedores, perda de oportunidades de negócio, atraso no pagamento de tributos e necessidade de renegociação de prazos para pagamento de credores.

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