O maior de todos os medos


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Lá está você, sentado à mesa de reunião no trabalho, ciente que chegará sua vez de falar. Observa “corajosos” que o antecedem. Alimenta santa inveja dos que conseguem. Agora só mais um, antes que o condenem ao paredão: “é sua vez”... Você sua. Em bicas. O coração acelera. As mãos esfriam e você as esfrega a ponto de incomodar quem está ao lado. O estômago dói. As pernas tremem. Você tem vontade de correr, mas é impossível. Sente, sobre si, olhares desaprovadores. Você fica mudo. É inevitável. O medo de falar em público, seja entre gente que se conhece ou, pior, a quem você nunca viu na vida, continua relevante, superior ao medo de morte. 
 
Além de inevitável, é democrático. Atinge você, seus amigos próximos, seus companheiros de trabalho, seus chefes. Também, e poucos sabem disso, seus atores e cantores preferidos, professores, palestrantes. Tem jeito de resolver, mas o primeiro passo tem que ser seu: reconhecer, encarar, observar-se a partir de crítica técnica, treinar para dominar; utilizar a fortalecê-lo, a adrenalina que hoje o penaliza. Essa é a diferença: auto-consciência e treinamento continuado. Vencedores se diferenciam de derrotados pela comunicação eficiente e eficaz. Também, porque aprendem que comunicadores notáveis não nascem prontos. Você até pode ter dom, boa voz, mas sem compreender seus medos, não conseguirá sobressair-se.
 
Lido com comunicação social há quase cinco décadas. Treino gente há três. Fiz centenas de palestras em empresas, escolas fundamentais, médias e superiores chamando a atenção de empresários, alunos e professores para os benefícios da comunicação adequada. Ministrei tutorias, mentorias e treinamentos de extensão universitária a profissionais liberais, trabalhadores comuns, diretores de empresa, associações e entidades. Afirmo que todos que resolveram se desafiar, se tornaram melhores, e os méritos não foram meus. Foram deles. Ninguém poderia obrigá-los. Decidiram-se por entender suas virtudes e deficiências, e o fizeram.
 
É absurdo observar que escolas consideradas “ilhas de excelência” brasileiras continuem desprestigiando preparação em expressão verbal e gestual, e argumentação e retórica a seus alunos. Nos Estados Unidos, escolas médias e superiores referenciais o fazem. Aqui, empresas treinam em objetivos e metas, comercialização e marketing. Depois, não entendem porque os resultados não melhoram. Se lhes posso lembrar, seus colaboradores, maioria de gestores e até, diretores, são comunicadores comuns, gente que tem medo de falar em público, que não aprendeu a ouvir, que se confunde quando interpreta textos, desconhece postura e gestual vencedor. Se for o caso, podemos conversar. Estou em luizneto@luiznetocomunicacao.com.br
 
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br

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